25 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Estudo analisa efeito de vídeos curtos no público infantil

Pesquisadoras da Universidade de Macau confirmaram que o consumo de vídeos curtos, típicos de redes sociais e visualizados em rolagem contínua no celular, prejudica o crescimento cognitivo das crianças, podendo gerar insegurança e ansiedade em suas relações sociais.

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Wang Wei, especialista em Psicologia Educacional da Universidade de Macau e responsável pelo estudo “Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses”, afirmou que a visualização compulsiva desse formato prejudica a concentração e ainda fomenta ansiedade social e sentimentos de insegurança.

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A acadêmica alertou que esse modelo de vídeo pode ser especialmente nocivo para o público infantil.

“Nossos dados revelam uma ligação clara: quanto maior o consumo de vídeos curtos, menor é o comprometimento dos estudantes com a escola.”

Wang defende que, embora as necessidades psicológicas essenciais das crianças devam ser atendidas no mundo real, fora das redes, as plataformas de vídeos curtos, com seus algoritmos personalizados e ferramentas de interação, atendem a essas mesmas demandas de forma imediata e sutil.

Essa satisfação alternativa, conforme a pesquisa, “pode levar a um uso exagerado e, consequentemente, à dependência”.

“O caráter dinâmico e o ritmo veloz dos vídeos curtos os tornam extremamente atraentes para os alunos”, complementou a pesquisadora.

Superestimação e fatores de risco

Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na mesma universidade e coautora de uma análise sobre os componentes afetivos e cognitivos no uso problemático de vídeos curtos, destaca que a superestimulação proporcionada por esse conteúdo agrava os prejuízos ao desenvolvimento cognitivo adequado.

Wu ressalta que os vídeos curtos prendem a atenção justamente por estarem amplamente disponíveis e sem custo. As pessoas podem acessar uma enorme quantidade desse material a qualquer momento e em qualquer lugar.

Ela explicou que tais comportamentos de vício frequentemente começam com uma “finalidade funcional”.

“É preciso elevar o nível de alerta, principalmente se o uso começar a interferir na rotina, fazendo a pessoa perder tempo em família, descuidar do sono ou navegar em ocasiões impróprias, como durante as aulas”, afirmou.

Além do design das plataformas, dos algoritmos e da natureza acelerada dos vídeos, Wu apontou outros elementos que podem desencadear a dependência. Fatores como o estresse cotidiano, o ambiente e até uma predisposição genética contribuem para esses comportamentos, conforme detalhado em seu estudo.

“De fato, uma das causas principais da dependência, que resulta em ações compulsivas, é a tentativa de escapar de realidades difíceis, pressões ou situações que as pessoas preferem evitar”, explicou Anise Wu, fazendo um apelo por maior conscientização sobre os efeitos.

Necessidade de intervenção adequada

Sobre como intervir com as crianças, Wang Wei considera “fundamental” atender suas demandas emocionais, ao mesmo tempo que se desenvolvem habilidades digitais e de autocontrole, “em vez de simplesmente confiscar o aparelho celular”.

Dados oficiais chineses indicam que, até o final de 2024, quase 1,1 bilhão de pessoas tinham acesso a vídeos curtos no país, sendo 98,4% usuários ativos desse formato.

O relatório anual do setor audiovisual na internet chinês mostrou que o mercado superou 1,22 trilhão de yuans, impulsionado pelo consumo de vídeos curtos e transmissões ao vivo. As microsséries registraram crescimento explosivo de audiência, enquanto a inteligência artificial generativa transformou o ecossistema de conteúdos.

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