Com o fim do carnaval, muitos estudantes começam de fato a se preparar para os vestibulares. Para quem optou por fazer um cursinho este ano, uma dúvida comum surge: qual formato é mais vantajoso, presencial ou remoto? Segundo especialistas consultados, essa escolha é estratégica, pois impacta diretamente na organização da rotina de estudos e no desempenho no Enem e em outros processos seletivos. Por isso, é essencial considerar o perfil individual de cada aluno.

“A escolha é muito relevante. Se o modelo não combina com o estilo de aprendizagem do aluno, o caminho até a aprovação pode ficar mais difícil. O ideal é que a família e a instituição de ensino apoiem um diálogo, ajudando o jovem a refletir sobre qual opção atende melhor às suas necessidades”, explica Aline Castro, diretora executiva do Sistema de Ensino pH.
Para selecionar o modelo mais adequado, o vestibulando deve analisar suas próprias características. “O aluno com mais independência e autodisciplina pode se adaptar bem ao formato online, que costuma ter um custo menor. Já o presencial é mais indicado para quem precisa de uma rotina estabelecida, de sair de casa e de interagir com colegas. Muitas vezes, é o perfil que aprende e evolui com a troca presencial”, detalha Aline.
Nessa reflexão entre remoto e presencial, a gerente pedagógica da plataforma Amplia, Alessandra Santos, destaca que o candidato precisa reconhecer seus limites e demandas. “Vários fatores ajudam nessa análise, como o histórico escolar, o ambiente de estudo em casa, os objetivos e o prazo para passar no vestibular”, afirma.
Aline também lembra que é fundamental o aluno perceber se rende mais com acompanhamento próximo ou estudando por conta própria. “Há estudantes que produzem melhor com orientação constante. Outros alcançam resultados superiores quando têm mais autonomia para gerir o próprio ritmo. Observar-se com cuidado é o que vai levar à escolha mais acertada”, declara a diretora.

O que levar em conta na escolha entre cursinho presencial e online?
Vários aspectos devem ser ponderados para fazer a melhor escolha, conforme apontam as especialistas. Elas destacam os seguintes pontos:
- Avaliar a localização da instituição (no caso do presencial), preferindo opções perto de casa para evitar cansaço com deslocamento;
- Verificar a taxa de aprovação do cursinho;
- Conversar com alunos que já estudam lá para saber sobre a qualidade do ensino e do suporte pedagógico;
- Conferir a quantidade de simulados oferecidos para testar o desempenho durante a preparação;
- Examinar os recursos disponíveis, como ambientes virtuais, avaliações, videoaulas e relatórios de rendimento;
- Entender a metodologia de cada formato: o presencial facilita tirar dúvidas na hora, enquanto o online é ideal para quem prefere aprender no próprio tempo;
- Considerar o orçamento. O presencial costuma ser mais caro, por incluir custos além das aulas. O online pode ser mais econômico, com acesso a conteúdos gravados;
- Identificar se há preferência por ferramentas digitais ou se o material físico é mais eficaz.
Quais são os benefícios e as dificuldades de cada modelo?
Cursinho online
Vantagens:
- Mais independência para organizar os estudos;
- Flexibilidade de horários;
- Preço geralmente mais baixo;
- Economia de tempo com transporte, ideal para quem concilia com trabalho ou outras atividades;
- Acesso a materiais gravados, permitindo revisar conteúdos quando necessário.
Desafios:
- Possível sensação de solidão, o que pode abalar a motivação;
- Exige alto nível de disciplina;
- Requer mais planejamento e capacidade de autogestão;
- É aconselhável incluir na rotina atividades de relaxamento, como esportes, meditação e encontros sociais, para equilibrar a preparação;
- Depende de conexão estável e equipamentos adequados.
Cursinho presencial
Vantagens:
- Interação constante com outros estudantes;
- Aulas presenciais com chance de esclarecer dúvidas no momento;
- Consolida uma rotina, ajudando a manter o foco;
- Oferece um espaço físico estruturado para o aprendizado.
Desafios:
- Maior chance de distrações;
- Exige disciplina para manter a concentração;
- Tempo gasto com deslocamento;
- Requer maturidade para aproveitar os estímulos sem perder o foco nos objetivos;
- Horários fixos, com menos flexibilidade para mudanças na rotina.

Quais perguntas fazer a si mesmo para acertar na decisão?
De acordo com as especialistas, o vestibulando pode refletir sobre algumas questões ao decidir entre presencial e online, como:
- Quão disciplinado sou nos estudos?
- Tenho resiliência para gerenciar meses de preparação sozinho?
- Consigo me manter concentrado e organizado sem supervisão?
- Prefiro estudar sozinho ou aprendo melhor com colegas?
- Sou mais produtivo em grupo ou individualmente?
- Consigo estudar por meio de ferramentas tecnológicas? Aprendo bem com videoaulas?
- O trajeto até o cursinho me motiva a não faltar?
- Tenho em casa um ambiente que favoreça a concentração?
- Quanto posso investir financeiramente?
Após refletir sobre essas questões, Aline, do Sistema de Ensino pH, sugere que o aluno observe seu comportamento em anos anteriores, percebendo se rende mais estudando em grupo ou sozinho.
“É fundamental entender que, para conquistar uma vaga concorrida, a disciplina será sua maior aliada. Ela está diretamente ligada à maturidade e à determinação para alcançar os objetivos. A dica é observar como você lida com metas cotidianas. Essas atitudes dão pistas valiosas sobre o caminho a seguir”, orienta. “E, acima de tudo, lembrar que não existe uma única fórmula certa. O importante é descobrir quais estratégias funcionam melhor para você”, complementa a especialista.







