Estabelecer uma rotina de estudos bem organizada para os jovens, com períodos definidos para aprender, divertir-se e descansar, é fundamental para equilibrar as emoções diante das obrigações do dia a dia.
De acordo com a psicopedagoga Paula Furtado, quando esses elementos estão em harmonia, o cérebro entende que não precisa ficar em alerta constante. Essa dinâmica reduz a ansiedade, evita discussões cotidianas e diminui os atritos em casa, já que todos sabem o que esperar do dia.
Um planejamento eficaz mantém o estudante engajado e confiante, influenciando positivamente seu desempenho escolar. Isso é especialmente relevante para quem demonstra certa relutância após o início das aulas. Paula Furtado ressalta que a resistência no começo é comum, principalmente em mudanças de escola. O erro está em transformar esse desconforto em uma situação estressante. A melhor atitude é acolher, identificar o sentimento e estabelecer metas modestas e alcançáveis.
Sete sugestões para estruturar a rotina de estudos
Com a volta às aulas e a chegada das provas do primeiro bimestre, a especialista, que tem experiência como assessora pedagógica em redes pública e privada, oferece algumas recomendações para que responsáveis e educadores organizem a agenda de estudos dos alunos.
- Observe a criança real, não uma versão idealizada: Os adultos precisam considerar a agenda, a capacidade de concentração, as demandas emocionais e o ritmo de cada um para que o plano seja viável.
- Leve em conta a individualidade: Cada jovem aprende de um jeito. Adaptar horários e expectativas às particularidades de cada um aumenta o envolvimento e a adesão à rotina.
- Colaboração entre família e escola: O alinhamento sobre as expectativas evita que o aluno receba informações conflitantes, o que impacta diretamente seu comportamento e aprendizado.
- Dê prioridade aos combinados: A disciplina se constrói com a constância nas regras e nos compromissos estabelecidos, não com a imposição de castigos.
- Mantenha coerência em suas ações: Agir com consistência ajuda a criança a entender os limites e o que se espera dela, fortalecendo sua estabilidade emocional e seu processo de aprendizagem.
- Fuja de cobranças exageradas e ameaças: Táticas baseadas no controle costumam gerar resistência, enquanto a constância e a clareza facilitam a assimilação das normas.
- Compreenda que a previsibilidade forma: Rotinas transparentes e acordos cumpridos são mais eficazes para desenvolver a independência do que medidas corretivas.

Acompanhamento e ajustes
Irritação frequente, queixas de dores no corpo, falta de motivação, perda de interesse e retrocessos no comportamento não são indolência, mas sinais de que algo não vai bem. Eles sugerem que a rotina pode estar pesada e precisa de ajustes.
Os ajustes devem considerar a idade e a fase de desenvolvimento do aluno. Na Educação Infantil, o ideal é uma rotina curta e divertida; no Ensino Fundamental, uma organização mais clara, porém flexível; e no Ensino Médio, a participação decisiva do adolescente nas escolhas se torna crucial.
Em qualquer etapa, as atividades lúdicas e os momentos de lazer têm um papel importante no processo educativo. Paula Furtado afirma que é nos momentos de relaxamento que a criança equilibra suas emoções, expande a criatividade e aprimora o foco. Sem espaço para brincar, o conhecimento perde o sentido.
Mudanças graduais na agenda, feitas com diálogo e respeito ao tempo de cada criança, transformam o ano letivo em uma experiência mais tranquila e produtiva.







