A MRV&Co amplia sua participação no programa Minha Casa Minha Vida, com cerca de 95% de seus projetos concentrados nessa linha de financiamento habitacional.
Os dados foram apresentados por Ricardo Paixão, diretor financeiro da empresa, em entrevista exclusiva à CNN Money sobre as operações da construtora no país.
Paixão afirmou que o cenário macroeconômico é bastante favorável, com o Minha Casa Minha Vida operando de forma eficiente e com ajustes frequentes em seus critérios, o que leva a empresa a projetar uma “expansão sustentável”.
Segundo o executivo, embora as subsidiárias do conglomerado sintam os efeitos das altas taxas de juros, a atividade principal da MRV permanece mais protegida da Selic elevada, atualmente em 15% ao ano.
“Quase a totalidade do nosso financiamento vem do FGTS. E o custo do FGTS não muda de forma significativa com as variações da taxa básica de juros”, esclareceu.
Subsidiárias enfrentam ambiente complexo
As duas subsidiárias do grupo, a loteadora Urbe e a locadora Luggo, têm realidades distintas. A Urbe teve um ciclo relevante de recuperação no ano passado, com aumento nas vendas e uma transição de prejuízo para um lucro próximo de R$ 20 milhões.
“A Urbe seguirá se desenvolvendo em um ritmo que não demande capital de terceiros. Não há injeção de recursos da MRV na Urbe. Ela tem se financiado por meio de cessões de recebíveis”, disse Paixão.
Já a Luggo, especializada em imóveis para aluguel, conta com três projetos finalizados, com valor estimado entre R$ 170 e R$ 180 milhões. Seu crescimento, no entanto, está mais vinculado a uma queda nas taxas de juros ou à expectativa de redução, o que tornaria esses ativos mais atrativos para investidores.
Plano de diversificação e flexibilidade
Um ponto forte destacado pelo CFO é a capacidade da empresa de realocar iniciativas entre suas diferentes áreas de atuação.
“Temos a flexibilidade de permutar terrenos e projetos entre a Luggo e a MRV, porque a estrutura do edifício é idêntica. A única diferença está no consumidor final”, enfatizou.
Para os empreendimentos da Luggo, a empresa tem adotado um modelo híbrido de locação, que combina contratos de curta e longa permanência.
“Conseguimos uma boa previsibilidade de caixa com parte do portfólio em arrendamentos de longo prazo e, ao mesmo tempo, aumentamos a rentabilidade dos projetos com diárias mais curtas”, explicou Paixão.
O momento macroeconômico atual oferece condições vantajosas para o setor de habitação de baixa renda, como o índice reduzido de desemprego, que ajuda a manter a solidez do financiamento via FGTS.
“Grande parte da equação da habitação popular no Brasil hoje está em um patamar muito positivo, considerando os programas governamentais, a demanda e o poder de compra do cliente”, concluiu o diretor.







