27 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Lula defende união do Sul Global para transformar a economia mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a união dos países do Sul Global pode mudar os alicerces da economia mundial. Ele destacou a necessidade de maior cooperação entre nações em desenvolvimento, de fortalecer o Brics e de adotar moedas locais nas transações comerciais internacionais.

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Em suas declarações, o presidente ressaltou que essas nações têm condições de alterar a lógica econômica global por meio de ações conjuntas. A fala ocorreu pouco antes do fim de sua visita oficial à Índia e da partida para a Coreia do Sul.

Durante coletiva, Lula apontou os desafios históricos que os países menos desenvolvidos enfrentam ao negociar com grandes potências.

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Segundo ele, a unificação das nações emergentes é crucial para estabelecer um equilíbrio nas relações internacionais.

“Países menores precisam negociar juntos. Quando a negociação é direta com uma superpotência, a chance de prejuízo é maior”, declarou.

O presidente acrescentou que essas nações ainda lidam com os efeitos de uma longa história de dependência econômica e tecnológica.

“O Sul Global tem o poder de transformar a lógica econômica mundial. É preciso criar parcerias entre países com realidades semelhantes para somar forças”, afirmou.

Brics e uma nova configuração econômica

Lula avaliou que o Brics tem atuado na formação de uma nova dinâmica para a economia global. Para ele, o bloco ganha cada vez mais relevância no cenário internacional, especialmente após a criação de seu próprio banco.

O presidente reafirmou que não há proposta de criar uma moeda única do Brics. A ideia, segundo ele, é expandir o comércio usando as moedas nacionais dos países, o que reduziria custos e a dependência do dólar.

“Não queremos uma nova Guerra Fria. Nosso objetivo é fortalecer nosso grupo e ampliar a integração econômica”, disse.

Multilateralismo e o papel da ONU

Na ocasião, Lula também manifestou apoio ao fortalecimento do multilateralismo e à retomada de um papel central para a Organização das Nações Unidas.

Ele afirmou que a entidade precisa recuperar sua legitimidade para mediar conflitos internacionais e evitar ações unilaterais por parte de países.

Crises recentes, como as da Venezuela, Gaza e Ucrânia, foram citadas como exemplos de situações em que a comunidade internacional precisa de mecanismos coletivos para buscar soluções diplomáticas.

Laços com os Estados Unidos

Sobre os vínculos com os Estados Unidos, Lula declarou que novas parcerias podem avançar se houver cooperação no combate ao crime organizado internacional e ao narcotráfico.

Em sua avaliação, organizações criminosas atuam hoje como corporações multinacionais, o que exige articulação entre forças policiais de diversas nações.

O presidente também defendeu que a relação dos EUA com a América do Sul e o Caribe seja baseada no respeito e na cooperação econômica.

Lula afirmou que planeja discutir o papel norte-americano na região em um futuro encontro com o presidente Donald Trump.

Diálogo econômico com a Índia

Em sua visita à Índia, Lula reuniu-se com o primeiro-ministro Narendra Modi para tratar do aprofundamento das relações comerciais entre os dois países.

O intercâmbio comercial bilateral está em cerca de US$ 15,5 bilhões, e os governos estabeleceram a meta de dobrar esse valor, chegando a US$ 30 bilhões até 2030.

Os encontros com empresários indianos foram considerados positivos pelo presidente, que afirmou haver interesse em ampliar os investimentos no Brasil.

Ele reafirmou que o país está aberto à exploração de minerais críticos e terras raras por parceiros estrangeiros, desde que haja agregação de valor dentro do território brasileiro.

“O processo de transformação precisa ocorrer no Brasil. Não queremos apenas exportar matéria-prima e importar produtos industrializados”, declarou.

Visita à Coreia do Sul

A viagem presidencial à Ásia começou na última terça-feira e inclui agendas focadas na expansão do comércio e de parcerias estratégicas.

Após a passagem pela Índia, Lula segue para Seul, na Coreia do Sul, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, com o objetivo de elevar a relação bilateral ao patamar de uma parceria estratégica.

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Fabrício Costa

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