O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recomendou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que um colaborador interno da pasta ocupe uma vaga no Conselho Diretor do Banco Central, segundo duas pessoas a par do assunto.
De acordo com essas fontes, Haddad sugeriu o nome de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica da Fazenda, para uma das duas vagas existentes no colegiado. Os interlocutores pediram anonimato, já que as tratativas são internas.
Mello, um economista alinhado à esquerda, tem atuado com Haddad para defender cortes na taxa básica de juros, que hoje está em 15%, seu patamar mais alto em quase duas décadas.
Haddad não se pronunciou. Tanto Mello quanto a equipe de Lula não responderam imediatamente aos pedidos de comentário, enviados após o horário comercial na sexta-feira à noite.
O Conselho Diretor do Banco Central, composto por nove membros sob a presidência de Gabriel Galípolo, opera com duas vagas em aberto desde o fim de 2025, quando terminaram os mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes.
Histórico de indicações
Lula já acatou indicações de Haddad para o Banco Central antes. Galípolo, nomeado para o conselho em 2023 e depois escolhido presidente da autarquia, foi secretário-executivo da Fazenda durante a gestão do ministro.
No entanto, segundo as fontes, não há garantia de que o presidente aceitará a recomendação desta vez.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic pela quinta reunião consecutiva e sinalizou o início de um ciclo de cortes para março. Por causa das vagas, apenas sete diretores participaram da decisão.
Perfil do indicado
Mello, de 42 anos, integra o grupo dos economistas estruturalistas, uma corrente de esquerda que defende maior intervenção estatal e investimentos públicos para expandir a produção e corrigir desequilíbrios entre oferta e demanda – em vez de depender apenas da política monetária para controlar a liquidez.
Ele ocupa o cargo atual desde a volta de Lula à Presidência, em 2023. Antes, atuou como assessor na campanha presidencial de Haddad em 2018 e integrou a equipe que elaborou o programa econômico de Lula para a eleição de 2022.







