23 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Expectativas para a inflação nos EUA e o câmbio no Brasil

A decisão da Suprema Corte norte-americana que anulou as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), gerou agitação nas projeções para a economia global. A possibilidade de o governo dos EUA ter que devolver cerca de 175 bilhões de dólares arrecadados de forma irregular faz com que especialistas acompanhem uma série de desdobramentos, que vão desde os preços para o consumidor americano até a taxa de câmbio no Brasil.

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Embora o fim dos tributos de importação sugira, a princípio, produtos mais baratos, o mercado financeiro encara essa transferência de custo com desconfiança. O cenário mais provável é um embate entre a recuperação dos lucros corporativos e o alívio sobre a inflação.

Como ficam os preços nos EUA?

Para a maioria dos analistas, a redução de preços não será imediata. Enquanto as tarifas estiveram em vigor, muitas empresas internalizaram os custos para evitar perder vendas, pressionando suas próprias margens de lucro.

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André Valério, economista sênior do Inter, detalha essa lógica de preservação da margem: “Considerando a transferência limitada das tarifas para os preços finais, como mostram os indicadores inflacionários, é plausível inferir que elas reduziram a rentabilidade de fabricantes e comerciantes. Com o fim delas, a expectativa é que a queda nos custos não seja repassada, justamente para recuperar esses prejuízos.”

Bruna Allemann, responsável por investimentos internacionais da Nomos, também acredita que o processo será gradual e variará conforme a competição em cada setor. “A queda nos preços não deve ser rápida nem uniforme. As empresas trabalham com estoques comprados sob a antiga estrutura tarifária, contratos já firmados e cadeias de fornecimento que não se adaptam instantaneamente”, complementa.

Restituição de US$ 175 bilhões

O aspecto de maior indefinição macroeconômica é a potencial restituição bilionária aos importadores, que funcionaria como um expressivo pacote de incentivos.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, observa que uma injeção de capital seria sentida pela economia. “Assim que a turbulência das discussões sobre as tarifas passar, devemos observar um efeito similar ao de um estímulo fiscal, devido à entrada direta de recursos nas empresas”.

O contexto de estímulo fiscal indireto e insegurança jurídica impacta diretamente a avaliação de risco da dívida norte-americana. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, adverte que a situação fiscal delicada dos EUA pode tensionar os títulos do Tesouro de longo prazo. Segundo ela, o alívio de curto prazo e a preocupação crescente com o endividamento americano alteram o formato da curva de juros no país: “as taxas de juros de prazo mais curto caem e as de prazo mais longo sobem devido a essa questão fiscal e toda a incerteza que a acompanha.”

Diante de pressões opostas – uma possível desinflação por importados mais baratos de um lado, e estímulo fiscal e incerteza de outro –, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não deve modificar sua política monetária de forma abrupta. “O Fed se mostra bastante prudente diante de cenários incertos. Portanto, frente a essas indefinições, ele tende a adotar uma postura de aguardar para então agir.”

Impactos no Brasil

Para a economia brasileira, o principal canal de influência da decisão do tribunal americano ocorre através da taxa de câmbio. O fim da política tarifária agressiva diminui o risco global e retira força do dólar perante moedas de mercados emergentes, como o real.

Felipe Tavares enfatiza que o movimento já começa a ser percebido nos mercados domésticos, com investidores realocando seus fluxos. “O sinal disso é o dólar em queda, já atingindo R$ 5,18, e a curva de juros cedendo”, destaca o economista da BGC Liquidez.

A desvalorização do dólar produz um efeito concreto para a economia do Brasil: torna as importações mais baratas e alivia os preços de itens atrelados à moeda norte-americana, o que auxilia o Banco Central na missão de conter a inflação.

Entretanto, Bruna Allemann salienta que esse benefício externo não soluciona as questões estruturais nacionais: “um dólar menos valorizado contribui para frear repasses de custos ao consumidor brasileiro. No entanto, o efeito não é automático nem isolado, pois depende da política fiscal do Brasil, do caminho dos juros locais e da percepção de risco do país.”

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