Apesar das preocupações iniciais com a política tarifária implementada pelos Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump, o comércio internacional se manteve forte ao longo de 2025. O impacto na economia global foi menos severo do que o projetado inicialmente, conforme análise da Coface. Em um evento em Paris, economistas da seguradora francesa destacaram que o balanço do ano revelou uma globalização surpreendentemente resistente. Essa resiliência deve levar a uma desaceleração muito modesta da economia mundial em 2026.
Ruben Nizard, responsável pela área econômica da Coface, expressou surpresa com o crescimento de cerca de 2,8% do PIB global em 2025, considerando o cenário de volatilidade e instabilidade. Ele enfatizou a notável capacidade de adaptação, principalmente das grandes corporações, em diversificar mercados e manter os fluxos comerciais em patamares semelhantes aos de períodos anteriores, mesmo sem as tarifas.
Para 2026, espera-se que essa capacidade de resistência se mantenha, sustentando uma nova e pequena desaceleração no crescimento econômico mundial, projetado em cerca de 2,6% no cenário principal da empresa. No entanto, alguns riscos de queda já são identificados: tensões geopolíticas na América Latina e na Groenlândia, o alto endividamento em um ambiente de crédito caro, novas incertezas sobre a política econômica norte-americana e uma possível correção no robusto desempenho das empresas de Inteligência Artificial.
Desempenho econômico desigual entre regiões
O desempenho das economias será desigual, segundo a avaliação da seguradora. A principal contribuição para uma taxa de crescimento mais moderada virá da China, cuja expansão do PIB deve recuar de 5% em 2025 para 4,6% no ano seguinte, como explicou Bruno Fernandes, chefe de macroeconomia da Coface. Por outro lado, as perspectivas para a Europa são mais otimistas, com destaque para a Alemanha, que deve retomar sua trajetória de crescimento impulsionada pelo aumento dos investimentos governamentais.
Comportamento divergente nos preços das commodities
Quanto aos preços das commodities no mercado internacional, a Coface prevê uma trajetória dividida: energia e alimentos devem cair, enquanto os metais enfrentam riscos de alta. A previsão é que o preço do barril de petróleo diminua, saindo de US$ 68 em 2025 para US$ 60 em 2026. Os alimentos devem se beneficiar das expectativas favoráveis para a produção agropecuária global. No caso dos metais, Nizard ressaltou que se trata de itens com oferta pouco flexível. Em um contexto de demanda crescente de setores como Inteligência Artificial e Defesa, a tendência é de pressão para alta nesses preços.






