27 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

BRICS+ adota pagamentos por QR code

O BRICS Pay é uma plataforma de pagamentos digitais criada para conectar os países do BRICS+, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outras economias que se uniram para ampliar a cooperação. O aplicativo pode ser baixado nas lojas oficiais para iOS e Android, com lançamento inicial na Rússia e planos de expansão gradual.

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Sua principal função é permitir transações rápidas via QR code em estabelecimentos comerciais, utilizando cartões e contas bancárias já existentes, com liquidação feita nas moedas locais. O objetivo prático é simplificar compras em lojas, restaurantes, hotéis e prestadores de serviços dentro do bloco, especialmente durante viagens e operações de varejo.

O desenvolvimento dessa iniciativa ocorre em um momento de discussões sobre a diversificação das moedas usadas no comércio global, que tradicionalmente tem o dólar como principal referência.

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Como funciona?

O modelo de operação do BRICS Pay se assemelha a um sistema já conhecido pelos brasileiros: o Pix, criado pelo Banco Central.

Carteira digital com recarga imediata

O usuário instala o aplicativo e pode adicionar fundos à carteira digital usando cartões internacionais, como Visa e Mastercard, quando permitido, além de cartões nacionais compatíveis. Após a recarga, o valor fica disponível para pagamentos instantâneos.

Pagamento unificado

O sistema utiliza um único QR code que funciona em diferentes locais. O cliente escaneia o código no estabelecimento participante e confirma o pagamento pelo aplicativo. A liquidação é feita na moeda local, reduzindo a necessidade de conversão prévia para dólar ou de troca física de dinheiro.

Liquidação em moedas nacionais

Um dos pilares do projeto é a liquidação direta nas moedas dos países membros. Assim, um brasileiro em viagem poderia pagar em reais, enquanto o comerciante receberia na sua moeda local, por meio de mecanismos de compensação entre sistemas interligados.

Esse formato visa reduzir os custos associados ao câmbio tradicional e às tarifas extras cobradas por cartões internacionais.

Integração com sistemas já consolidados

O BRICS Pay não é construído do zero. A estrutura anunciada prevê interoperabilidade com infraestruturas nacionais já estabelecidas, como:

  • Banco Central do Brasil, responsável pelo Pix
  • Banco da Rússia, que opera o SBP
  • National Payments Corporation of India, responsável pelo UPI
  • Tencent, operadora do WeChat Pay

O papel do Pix nesse cenário

No Brasil, o Pix se consolidou como o principal método de pagamento instantâneo. Dados oficiais do Banco Central mostram que o sistema realiza bilhões de transações por mês, com ampla adoção por pessoas e empresas.

A possível integração do Pix ao BRICS Pay poderia simplificar pagamentos de brasileiros em países do bloco, sem depender exclusivamente de bandeiras internacionais.

O BRICS Pay vai substituir o dólar?

A pergunta que mais gera curiosidade é se a plataforma significa o fim do dólar nas transações entre nações emergentes.

A proposta oficial não é substituir o sistema financeiro internacional atual nem acabar com o uso do dólar. O projeto também não pretende substituir a rede SWIFT, de mensagens financeiras globais, ou competir diretamente com bandeiras como Visa e Mastercard.

Em vez disso, o BRICS Pay se posiciona como uma alternativa complementar. O sistema incorpora um mecanismo de mensagens financeiras transfronteiriças chamado DCMS, que funcionaria em paralelo às infraestruturas existentes.

Redução da dependência, não eliminação

Na prática, o que pode ocorrer é uma diminuição gradual da dependência do dólar em operações de varejo e pagamentos do dia a dia entre os países do grupo. Em transações comerciais de grande porte e contratos internacionais, a moeda norte-americana ainda deve manter sua relevância no curto e médio prazo.

Para o consumidor comum, porém, o efeito pode ser mais direto, especialmente em viagens.

Viagens internacionais dentro do BRICS+

Um turista brasileiro na Rússia, Índia ou China, por exemplo, poderia usar o aplicativo para pagar diretamente com o saldo carregado, evitando:

  • Casas de câmbio com margens de lucro elevadas
  • IOF adicional sobre certas operações
  • Taxas internacionais de cartão

A economia final dependerá da estrutura de conversão e dos acordos entre bancos centrais, mas a tendência é de maior previsibilidade nos custos.

Pequenas e médias empresas

Empresas brasileiras que exportam para países do bloco podem se beneficiar de opções de liquidação em moeda local, reduzindo a exposição a variações cambiais e os custos operacionais.

Esse movimento acompanha debates já em curso entre os bancos centrais do BRICS sobre acordos bilaterais de compensação.

Arquitetura descentralizada e interoperabilidade

O projeto se baseia em quatro pilares principais:

Arquitetura descentralizada

Cada país mantém sua própria infraestrutura doméstica. O BRICS Pay atua como uma camada de integração, e não como um sistema centralizado único.

Interoperabilidade

A plataforma conecta sistemas distintos, permitindo que um QR code funcione em diferentes jurisdições.

Suporte multimoeda

As transações são liquidadas nas moedas nacionais, reduzindo a necessidade de uma conversão intermediária.

Liberdade de escolha

Usuários e empresas podem optar por utilizar cartões, contas bancárias ou carteiras digitais já existentes.

Brasileiros poderão usar o Pix no BRICS Pay?

O projeto prevê interoperabilidade com sistemas nacionais como o Pix. No entanto, a integração oficial depende de acordos técnicos e regulatórios entre os bancos centrais envolvidos.

Em quais países o aplicativo já está disponível?

Nesta fase inicial, o BRICS Pay está disponível na Rússia, com expectativa de expansão para outros países do BRICS+ conforme as integrações avançam.

Considerações finais

O BRICS Pay não representa o fim imediato do dólar, mas indica uma mudança estratégica na forma como economias emergentes buscam maior autonomia financeira. Ao integrar sistemas como Pix, UPI e outros arranjos nacionais, a plataforma pode reduzir custos e simplificar pagamentos internacionais no varejo.

Para o brasileiro, o impacto mais tangível pode aparecer em viagens e transações comerciais dentro do bloco. Se a interoperabilidade for efetiva e as taxas forem competitivas, o aplicativo pode se consolidar como uma alternativa prática e eficiente.

O progresso do projeto deve ser acompanhado de perto, especialmente à medida que novos países integrem o sistema e que acordos operacionais sejam formalizados entre as autoridades monetárias.

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Fabrício Costa

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