A remuneração média real no Brasil cresceu 5% em 2025, atingindo R$ 3.613 e marcando um novo recorde. Os indicadores do mercado de trabalho mostram que o país mantém uma baixa taxa de desocupação, de 5,4%, com redução da ociosidade da força de trabalho e um aumento significativo na renda da população.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O desemprego continua flutuando em patamares historicamente baixos, ainda que a população ocupada cresceu pelo segundo mês seguido, demonstrando a resiliência do mercado. A taxa de desocupação atual permanece bem abaixo do seu nível neutro, uma situação que dificilmente mudará no curto prazo.
Assim, a expectativa é que, mesmo com possíveis recuos pontuais nos próximos meses, o emprego aquecido e a renda em alta sirvam de suporte para a atividade econômica durante 2026, o que representa um desafio adicional para a política monetária.
| Evolução do rendimento médio real (Em R$) | ||||
| Ano | jan-fev-mar | abr-mai-jun | jul-ago-set | out-nov-dez |
| 2012 | 3.064 | 3.073 | 3.093 | 3.079 |
| 2013 | 3.128 | 3.163 | 3.204 | 3.175 |
| 2014 | 3.239 | 3.213 | 3.241 | 3.233 |
| 2015 | 3.232 | 3.219 | 3.180 | 3.127 |
| 2016 | 3.133 | 3.095 | 3.120 | 3.147 |
| 2017 | 3.186 | 3.155 | 3.167 | 3.192 |
| 2018 | 3.215 | 3.222 | 3.211 | 3.235 |
| 2019 | 3.253 | 3.213 | 3.218 | 3.245 |
| 2020 | 3.282 | 3.424 | 3.462 | 3.323 |
| 2021 | 3.295 | 3.201 | 3.071 | 2.962 |
| 2022 | 3.006 | 3.035 | 3.147 | 3.203 |
| 2023 | 3.223 | 3.222 | 3.275 | 3.300 |
| 2024 | 3.349 | 3.406 | 3.393 | 3.440 |
| 2025 | 3.480 | 3.518 | 3.527 | 3.613 |
O contexto de alta demanda por mão de obra, desemprego baixo, escassez de trabalhadores em alguns setores e a valorização real do salário mínimo explicam o forte aumento nos rendimentos do trabalho observado em 2025.
Quadro do emprego
Os números da PNAD mostraram um recuo marginal na taxa de desemprego, que passou de 5,2% em novembro para 5,1% em dezembro. No trimestre móvel, o indicador caiu de 5,5% para 5,4%.
A população ocupada chegou a 102,4 milhões de pessoas, um aumento de 1,1% na comparação com dezembro de 2024.
O emprego formal cresceu 3,5% em 2025, enquanto o informal recuou 0,4% no ano. Por outro lado, o número de trabalhadores por conta própria superou as expectativas, com uma alta expressiva de 9,1% no período.
Os dados evidenciam um mercado bastante sólido, com os empregos formais com carteira assinada e os trabalhadores autônomos alcançando seus máximos históricos.
‘Gig Economy’ e benefícios sociais impactam dados
Uma combinação de fatores que influenciam os indicadores do mercado de trabalho. As transformações demográficas, com taxas de natalidade mais baixas resultando em um crescimento mais lento da força de trabalho.
A pressão da expansão do trabalho vinculado a plataformas de transporte e entregas, a chamada Gig Economy, que se refere a ocupações flexíveis e sem vínculo empregatício tradicional.
Além disso, a ampliação dos benefícios sociais tem impactado a oferta de trabalho, com menos pessoas disponíveis para ocupações de menor remuneração e qualificação. Outro fator mencionado é a taxa de participação, que se manteve estável ao longo de 2025, favorecendo a contínua queda na taxa de desocupação.
Opaís vive um período de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e um alto grau de formalização.
Atividade econômica
Esse cenário faz com que a desaceleração da atividade econômica ocorra de forma mais lenta e que os efeitos dos juros elevados sejam amortecidos pelo aumento da renda do trabalhador.
Isso acontece porque, com mais recursos disponíveis, o brasileiro tem mantido a demanda por serviços, o que exerce pressão sobre a inflação.
Essa combinação tem ajudado a suavizar a desaceleração da atividade e a reduzir os impactos da política monetária restritiva, mantendo o Banco Central em uma postura mais cautelosa na condução da taxa básica de juros.







