Investidores brasileiros têm um conceito distinto do que é proteção para a carteira de investimentos. Usualmente, quando se pensa em proteção, logo vem a cabeça dois produtos: poupança e dólar. Explico por que está errado pensar nos dois termos e o que deve vir à sua cabeça a partir de agora.
Nesta semana, estava lendo o livro Teoria Monetária Moderna de Fabiano Dalto e outros. É um livro interessante e atual sobre este enfoque econômico.
No Capítulo 6, que trata de inflação, eles explicam que uma moeda desempenha três funções: unidade de conta, meio de pagamento e reserva de valor.
As duas primeiras funções estão relacionadas à troca de bens e serviços. O ponto crucial para o tema deste artigo está nesta terceira função, ou seja, reserva de valor.
Os autores argumentam que a moeda seria o ativo mais seguro de uma economia, pois é o único que pode saldar todos os compromissos instantaneamente. Entretanto, esta prerrogativa entra em cheque quando surge um efeito que temos vivenciado pelo mundo.
Este efeito é a inflação e a incerteza.
Uma sentença do livro remete ao motivo de brasileiros interpretarem a compra de moeda, ou seja, dólar como proteção e por que ela não seria razoável no cenário que vivemos.
Segundo os autores sugerem, em momentos de inflação e incerteza, investidores poderiam buscar proteção para o poder de compra em outras moedas. Isso parece quase óbvio para qualquer um.
De fato, este comportamento é natural desde a época de nossos avós. Mas há uma exceção para ele. Como os autores mencionam,
“Caso não haja ativos denominados na moeda que garantam que o valor real da riqueza será preservado ao longo do tempo (como títulos públicos), os agentes podem passar a procurar outros ativos para aplicar seu capital (como divisas estrangeiras).”
Na época de nossos pais e avós, não havia disponibilidade de títulos públicos e privados referenciados ao IPCA. Por isso, o comportamento de enviar recursos para o exterior era uma das poucas formas de proteção para o poder de compra de seus patrimônios.
Atualmente, há uma riqueza de instrumentos para proteção do poder de compra no Brasil. Ou seja, manter a reserva de valor de seu patrimônio é simples e não parece coerente a ânsia de se enviar recursos para o exterior com esta razão.
A incoerência é ainda maior quando consideramos as condições atuais nos EUA e a possibilidade de proteção do patrimônio naquela moeda. A maioria desconhece o momento e leva em consideração apenas o que ocorreu em passado recente.
Isso mesmo, se considerarmos os riscos de alta de taxa de juros nos EUA, inflação elevada e menor capacidade de proteção do poder de compra que se tem ao investir lá fora, enviar recursos para o exterior quando temos uma taxa de juros das mais elevadas parece bastante incoerente.
Esta incoerência é similar a acreditar que a poupança também é uma proteção para o poder de compra de seu patrimônio. É de pleno conhecimento que historicamente a poupança perde da inflação. Portanto, a caderneta não consegue proteger seu patrimônio.
Resumindo, há quatro razões que apontam que enviar recursos para o exterior, neste momento, é inadequado:
- Taxa de juros estão elevadas
- Há vários instrumentos para proteção do poder de compra no Brasil
- O momento econômico é desafiador nos EUA
- Facilidade tributária (até mesmo isenção de IR) e menor risco de sucessão investindo localmente.
Portanto, neste momento, quando pensar em proteção patrimonial, pense em ativos referenciados ao IPCA.
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