Valor total do patrimônio das instituições fechadas era de R$ 1,09 trilhão; quebras do SVB e do Signature não são algo incomum
A quebra do Silicon Valley Bank e do Signature Bank causou um tumulto no mercado nos últimos 10 dias. Mas esse tipo de evento não é incomum no capitalismo norte-americano.
Desde 2001, os Estados Unidos registraram a falência de 563 bancos, cujos ativos totais somados (em valores nominais, sem correção) eram de US$ 1,09 trilhão, segundo dados da Fdic (Federal Deposit Insurance Corporation), agência federal dos EUA que cuida das garantias para depósitos bancários.
O pico da quebradeira de bancos nos últimos 20 anos foi em 2008, 2009 e 2010. A causa foi a chamada crise do Lehman Brothers, que puxou a fila na chamada crise do “sub prime”.
O mercado em 2008 começou a colapsar para muitas instituições que concediam empréstimos imobiliários (os “mortgages”, expressão muitas vezes traduzida para o português de maneira imprópria para “hipotecas”) sem garantias de que algum dia receberiam o dinheiro de volta. Eram créditos podres, conhecidos pelo eufemismo “sub prime”.
Depois da crise iniciada em 2008, só em 5 anos não houve quebra de nenhum banco nos EUA (2005, 2006, 2018, 2021 e 2022).
“Isso [a quebra de bancos norte-americanos] é muito mais comum do que a gente imagina”, disse ao Poder360 a consultora econômica Zeina Latif. Ela avalia que o cenário é influenciado porque a economia norte-americana é “mais dinâmica”.
Na análise da especialista, a falência de bancos menores, como o Signature, não representa atualmente uma preocupação tão relevante aos EUA. Isso porque sistemas de blindagem foram aperfeiçoados para deixar os operadores menos vulneráveis.
SEM QUEBRAS NO PÓS-PANDEMIA
Os últimos 2 anos não tiveram nenhuma falência no EUA por causa do maior incentivo às instituições financeiras para retomada da economia depois da pandemia. Em 2020, 2021 e parte de 2022, a taxa de juros norte-americana diminuiu, o que levou os bancos a expandir a carteira.
Além disso, o Federal Reserve, Banco Central dos EUA, afrouxou regras na utilização dos recursos de clientes em março de 2020. Instituições financeiras passaram a poder gastar 100% do que recebiam em depósitos de correntistas.
Há uma discussão se essas medidas foram positivas ou negativas para o mercado financeiro dos EUA. Com o fim da pandemia e volta do aumento na taxa de juros, a demanda por empréstimos diminuiu. Os bancos começaram a comprar ativos com depósitos de clientes. É o caso do SVB.
O processo de crise começou quando o banco informou que havia liquidado US$ 21 bilhões em títulos (R$ 109 bilhões) com US$ 1,8 bilhão (R$ 9,9 bilhões) em prejuízo no 1º trimestre.
Além disso, planejava vender US$ 1,7 bilhão (R$ 8,8 bilhões) em ações. Resultado: houve uma clássica corrida dos clientes para tirar o dinheiro do banco o mais rapidamente possível. Ocorre que parte do valor retirado estava investida em outros ativos, de menor liquidez.
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ENTENDA O CASO
Depois do anúncio de perdas em 8 de março, a instituição não conseguiu atender aos pedidos de saque. Por isso, foi necessária a intervenção para evitar um caso parecido com o da crise do subprime, em 2008.
No último dia, 10, o Departamento de Proteção Financeira e Inovação da Califórnia anunciou o fechamento do SVB.
O órgão também nomeou o Fdic, criado em 1933 no auge da Grande Depressão para proteger correntistas e poupadores, para conduzir a situação e devolver o dinheiro a clientes e pequenas empresas que possuem depósitos na instituição a partir do último dia 13.
O Fdic funciona de forma similar ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) brasileiro.
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Além do Fdic, o Fed anunciou no último dia 12, a criação de um novo programa de financiamento a longo prazo para bancos a fim de assegurar a capacidade de pagamento das instituições financeiras aos seus depositantes. O Tesouro norte-americano disponibilizará até US$ 25 bilhões do Fundo de Estabilização Cambial para esta finalidade.
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No dia 13 de março, o presidente dos EUA, Joe Biden, manifestou-se sobre o caso. Disse que o sistema bancário do país está seguro.
O líder norte-americano também afirmou que responsabilizará os culpados pela falência dos bancos Silicon Valley Bank e Signature Bank. A última instituição financeira foi fechada no dia 12 de março depois de apresentar risco sistêmico semelhante ao SVB.
Assista ao pronunciamento de Biden:
No Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse em 13 de março que o BC (Banco Central) deve tomar “alguma providência” em relação à quebra do SVB.
Afirmou ainda que o governo federal está em sintonia com os bancos brasileiros e com o BC para saber das percepções de risco para a economia brasileira.
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