O dólar operava em alta nos primeiros negócios desta sexta-feira, 17, com os olhos do mercado voltados à divulgação do novo arcabouço fiscal e aos desdobramentos da crise de confiança global sobre o setor bancário.
Por volta das 9h47 (horário de Brasília), a moeda norte-americana avançava 0,15%, cotada a R$ 5,248 na venda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne, nesta sexta-feira, 17, com a equipe econômica para discutir a proposta do Ministério da Fazenda para dar credibilidade à política fiscal do novo governo.
A fórmula está guardada sob forte blindagem, mas a essência do modelo vem sendo antecipada a conta gotas pelos ministros Fernando Haddad (PT) e Simone Tebet (MDB) em entrevistas à imprensa. Já sabemos, por exemplo, que o novo arcabouço fiscal prevê algum gatilho para segurar as despesas — coisa que o presidente Lula não gostaria de ter no seu governo, como ele mesmo diz e repete.
Em paralelo, a disputa pelo protagonismo na condução do substituto do teto de gastos já começou antes mesmo da apresentação pública da proposta. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), disse ao analista da CNN, Caio Junqueira, que seu partido quer a relatoria do projeto. As articulações apontam que o escolhido pode ter um perfil não alinhado ao Palácio do Planato e à equipe econômica.
Por aqui, entra no radar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados há pouco pelo IBGE. A taxa média de desemprego no Brasil ficou em 8,4% no trimestre encerrado em janeiro, mostrando estabilidade em comparação com período imediatamente anterior.
Os investidores também seguem de olho nas movimentações do mercado internacional. Por lá, as bolsas operam com viés de alta, impulsionadas pelos empréstimos bilionários que resolvem — ao menos por enquanto — a crise de liquidez dos bancos Credit Suisse e First Republican Bank, que entrou na berlinda após o colapso de instituições do Vale do Silício.
Ao que tudo indica, porém, a empolgação pode durar pouco e não ter força para segurar os índices no positivo. O medo dos efeitos de uma nova crise no sistema financeiro aumenta a incerteza, e o mercado doméstico pode não passar incólume.
Na véspera, o dólar fechou o dia cotado a R$ 5,238 na venda, em baixa de 1,05%.
O Banco Central fará neste pregão leilão de até 16 mil contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 2 de maio de 2023.







