O cidadão brasileiro está entre os mais endividados do mundo: o percentual de devedores no Brasil chegou a 77,7% em setembro, o maior nível desde o início da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), em janeiro de 2010.
Já o percentual de inadimplentes chegou a 28,6%, o segundo maior nível da pesquisa, ficando abaixo apenas da taxa de janeiro de 2010 (29,1%). De acordo com o advogado capixaba, André Moreira, ter dívidas é normal e, todos, em maior ou menor escalas, devemos alguma coisa.
“Todos nós temos dívidas. Mas isso não é necessariamente um problema. O problema é quando você não pode mais quitar essas dívidas, abrindo mão até da sua subsistência, da comida e do aluguel. Aí é hora de procurar ajuda para estancar o ralo e deter o avanço dos juros”, afirma.
Ainda de acordo com André Moreira, o mercado de crédito é feito para que o consumidor sempre pague a mais do que deve, o que gera o lucro desmedido dos bancos e instituições financeiras. “Quando você vê um banco dando um desconto de 80% de uma dívida, a instituição já ganhou três vezes mais nas costas do cliente”, esclarece.
Ainda segundo o advogado, bancos e governos também são responsáveis pelo endividamento dos aposentados. “Já vi gente com contracheque zerado e até devendo. São aposentados os grandes alvos dos bancos que, em parceria com o governo, podem ter descontados até 35% do seu salário, retidos direto na fonte, sem chance de ficar com o mínimo para se alimentar”, revela.
Que o diga a dona de casa Odete Ladeira, aposentada do serviço federal. Com um contracheque na casa dos R$ 12 mil por mês, viu sua renda minguar e teve que buscar ajuda judicial. “Passei a viver pagando juros. Foram 4 anos pagando, pagando, sem ver o fim do buraco no qual estava me afundando. Mas, com ajuda de um advogado, consegui me livrar e parcelei a dívida. Hoje consigo comprar meus remédios”, brinca.
Mas você já parou para pensar sobre a relação que existe entre a saúde mental e as finanças pessoais? Esses dois pontos estão totalmente interligados, pode ter certeza.
Afinal de contas, a falta de dinheiro começa a gerar preocupações sobre como pagar as dívidas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 70% dos inadimplentes acabam desenvolvendo algum transtorno de ansiedade ou outros distúrbios por não conseguirem pagar suas dívidas.
“Diante disso, o excesso de preocupação sobre a saúde financeira acaba aumentando a circulação de hormônios no corpo como cortisol e adrenalina. E isso pode levar ao aumento de estresse, ansiedade, depressão e outras doenças da mente”, explica Valéria Meireles, psicóloga, psicoterapeuta e doutora em Psicologia Clínica com ênfase na Psicologia do Dinheiro.
E obviamente que o contrário também existe. Ou seja, a saúde mental pode afetar as finanças. “Seja quando a pessoa está em um pico de euforia e sai comprando furiosamente. Ou então, está muito triste, de luto e acredita que o consumo acabará com esse sentimento de qualquer jeito”, exemplifica Vera Rita de Mello Ferreira, psicóloga e presidente da International Association for Research in Economic Psychology (Iarep).







