Especialista fala sobre sintomas, diagnóstico e tratamento do TDAH

13 de julho é o Dia Mundial do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), um distúrbio neurobiológico caracterizado por três sintomas principais: desatenção, hiperatividade e impulsividade. De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção – ABDA, o número de casos de TDAH variam entre 5% e 8% a nível mundial.
O transtorno não tem uma causa única definida, mas fatores genéticos (hereditários) estão presentes com frequência. “A data tem como objetivo aumentar a conscientização sobre o problema, que aparece na primeira infância e está ligado a alterações no desenvolvimento, que podem levar a déficits nas vidas pessoal, social, acadêmica e profissional”, diz Filipe Colombini, psicólogo parental e CEO da Equipe AT.
Quais os sinais de que a criança pode ter TDAH?
Segundo Colombini, alguns dos principais indícios incluem:
1) Dificuldade extrema de concentração (em tarefas, atividades de lazer) e no planejamento e execução de atividades;
2) Esquecimento de compromissos e tarefas;
3) Comportamentos de evitação em tarefas que exigem esforço mental prolongado;
4) Sai do lugar na sala de aula ou em situações em que se espera que fique sentada;
5) Corre de um lado para o outro ou sobe em móveis e objetos em situações em que isso é inapropriado;
6) Responde às perguntas de forma precipitada (antes de elas terem sido concluídas);
7) Inquietação e dificuldade de autocontrole;
8) Tendência a agir sem pensar nas consequências, o que pode levar a comportamentos de risco;
9) Interrompe os outros ou se intromete (conversas, jogos etc.).
10) Não pára ou está “em estado de aceleração” constantemente;
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do TDAH é geralmente feito durante a infância, especialmente no período escolar. “Os profissionais da escola percebem os sinais e são eles que costumam alertam a família”, diz Colombini.  “Não existem exames laboratoriais para o TDAH, mas uma avaliação neuropsicológica e exames clínicos sobre aspectos do comportamento e desenvolvimento são muito úteis para que médicos e psicólogos possam estabelecer um diagnóstico”, conclui.
O tratamento do transtorno é multidisciplinar e envolve consultas com psiquiatras ou neurologistas infantis, além do uso de medicamentos e intervenções comportamentais, sob a supervisão de psicólogos e pedagogos.
Conhecido como AT, o Acompanhamento Terapêutico é uma das modalidades de terapia indicadas para pacientes com TDAH. “O AT tem como proposta oferecer sessões terapêuticas fora do consultório. Isso costuma dar ótimos resultados porque a flexibilidade do atendimento permite acompanhar o paciente durante os estudos e demais momentos de sua rotina, identificando os gatilhos que levam à desatenção e agitação”, esclarece o especialista. “É importante que o tratamento seja vivencial, ou seja, que aconteça de forma prática, pois apenas falar sobre o que deve ser feito pode ser insuficiente para pessoas com TDAH”, conclui.
O AT também oferece uma atenção especial aos pais no processo de terapia – a chamada orientação parental. “Vale lembrar que os responsáveis têm papel primordial no tratamento dos pequenos”, diz Colombini.
O psicólogo ressalta, ainda, que o TDAH não está necessariamente associado a uma capacidade cognitiva limitada. “A criança pode apresentar baixo rendimento escolar, mas não por restrições em sua capacidade de compreensão e sim, em função da agitação e desatenção”, destaca. “Com o tratamento adequado, é possível amenizar os sintomas e ter êxito no desempenho escolar e profissional”, finaliza.
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