Do cabelo ao coração: confira os 7 danos do cigarro além da saúde pulmonar

O cigarro é um dos maiores inimigos da saúde como um todo. Apesar de ser associado frequentemente a problemas no pulmão e no cérebro, seus riscos vão muito além. O tabagismo pode, inclusive, causar diversos danos ao organismo, principalmente para o metabolismo, a pele, o cabelo, o sistema reprodutivo, o coração, o rim e a circulação periférica. Entenda como isso ocorre com a explicação de especialistas. Confira:

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Problemas de absorção de nutrientes

O hábito de fumar é capaz de influenciar até mesmo nos aspectos nutricionais do organismo. “Por atuar no sistema nervoso central, o cigarro causa uma diminuição do apetite, pois afeta a atividade de neurotransmissores que são responsáveis pelo controle da fome, além de alterar o paladar e o olfato, reduzindo o gosto e o aroma dos alimentos”, diz a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

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Inflamação da pele e complicações após tratamentos estéticos

O cigarro também não combina com a saúde da pele. “Fumar acelera o envelhecimento, já que as substâncias tóxicas presentes no cigarro causam vasoconstrição periférica, diminuindo o fluxo sanguíneo para o tecido cutâneo, o que afeta a entrega de nutrientes para essa região. Isso traz consequências na perda do viço e luminosidade da pele e, além disso, favorece o amarelamento do tecido. Também há uma perda de firmeza por conta da diminuição da oxigenação e nutrição”, comenta a Dra. Mônica Aribi, dermatologista e sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Quem vai passar por uma cirurgia ou procedimento estético também deve evitar o tabagismo. “Isso porque existe uma maior incidência de complicações cirúrgicas em pacientes tabagistas devido à vasoconstrição causada pelo cigarro, incluindo trombose pulmonar, infecção, hematoma, necrose de tecidos e problemas com qualidade de cicatriz”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Danos ao couro cabeludo e aos fios

O hábito de fumar também pode prejudicar o couro cabeludo e, consequentemente, os fios. “As substâncias tóxicas presentes no cigarro podem levar à vasoconstrição, assim reduzindo a oxigenação e o aporte de nutrientes, que são essenciais para que o cabelo permaneça saudável e cresça adequadamente”, explica a Dra. Jaqueline Zmijevski, dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Além disso, o cigarro deixa os fios amarelados e opacos por conta da oxidação”, acrescenta.

O cigarro impacta na fertilidade

O cigarro é um dos principais causadores da infertilidade, pois os componentes tóxicos presentes no produto, como a nicotina e o alcatrão, pioram severamente a qualidade reprodutiva. “Nas mulheres, o tabagismo é capaz de favorecer a deterioração dos óvulos, envelhecendo-os em até dez anos e acelerando o início da menopausa. Aliás, isto é especialmente prejudicial hoje em dia, pois as mulheres estão querendo engravidar cada vez mais tarde”, alerta o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da Clínica Mater Prime.

Já nos homens, o hábito de fumar diminui a quantidade de espermatozoides e fragmenta o DNA do esperma. Isso, por sua vez, reduz a capacidade de fecundação, além de também contribuir para a perda do apetite sexual e a disfunção erétil, explica o profissional.

Prejudicial ao coração

A médica nefrologista e intensivista Dra. Caroline Reigada, informa que cada vez que você inala a fumaça do cigarro, sua frequência cardíaca e sua pressão arterial aumentam temporariamente. “Seu coração tem que bater mais forte e mais rápido do que o normal. Os níveis de colesterol também ficam fora de controle, já que a fumaça do cigarro aumenta os níveis de LDL (colesterol ‘ruim’), e de uma gordura no sangue chamada triglicerídeos. Isso faz com que uma placa de gordura se acumule em suas artérias, aumentando o risco de ataques cardíacos”, explica a médica.

Logo, parar de fumar é uma excelente maneira de melhorar a saúde cardíaca. Segundo estudos, apenas 20 minutos depois de parar, sua pressão arterial e frequência cardíaca diminuem. “Em 2 a 3 semanas, seu fluxo sanguíneo começa a melhorar. Depois de um ano sem cigarros, você tem metade da probabilidade de sofrer com alguma doença cardíaca do que quando fumava. Depois de 5 anos, o risco é quase o mesmo do que de alguém que nunca acendeu um cigarro”, afirma Caroline.

Cigarro causa doenças renais e câncer no rim

O tabagismo é um dos principais fatores de risco que podem levar à doença renal terminal, conta a médica nefrologista, Dra. Caroline. Ela lista algumas das possíveis maneiras pelas quais fumar pode prejudicar:

  • Aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca;
  • Redução do fluxo sanguíneo nos rins;
  • Aumento da produção de angiotensina II (um hormônio produzido no rim);
  • Estreitamento dos vasos sanguíneos nos rins;
  • Danos nas arteríolas (ramos de artérias);
  • Formação de arteriosclerose (espessamento e endurecimento) das artérias renais;
  • Aceleração da perda da função renal.
De acordo com a Associação Americana de Pacientes Renais (AAKP), estudos mostram que fumar pode causar a progressão da doença renal e aumentar o risco de proteinúria (quantidade excessiva de proteína na urina), acrescenta a médica nefrologista.

Alterações da circulação periférica

A circulação é uma das estruturas que mais sofre com o tabagismo. “O cigarro pode causar problemas circulatórios como arteriosclerose e tromboangeíte obliterante, distúrbio que afeta as extremidades do corpo. Em ambos os casos, há riscos de ter de amputar os membros, como pernas, pés e mãos”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

Além disso, a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos, da mesma forma que o monóxido de carbono reduz a concentração de oxigênio no sangue. “Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose, principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, enfatiza a especialista.

Como abandonar o cigarro

Parar com o cigarro não é uma tarefa simples. “Estudos mostram que apenas 15% das pessoas que tentam parar de fumar sem ajuda profissional conseguem. O cigarro está muito ligado ao hábito, claro que existe uma dependência química ligada ao estresse, mas quando uma pessoa consegue identificar o gatilho que a faz ter vontade de fumar pode tentar acabar com estes gatilhos ou ainda mudar a resposta a eles”, explica a Dra. Beatriz Lassance.

“Busque qualquer atividade que dê prazer. Tente começar uma atividade física, ela é o maior antioxidante que existe. O consumo de energia do corpo em movimento obriga nosso organismo a produzir antioxidantes de maneira enorme, que nos protege da ação dos radicais livres, e também ajuda a reduzir a ansiedade. Qualquer atividade física é importante. Quanto maior o número de músculos você mexer, melhor”, finaliza a Dra. Beatriz.

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