Cuidados paliativos: diante do prognóstico, médico libera consumo de cerveja para paciente com câncer

Um médico no Espírito Santo liberou o consumo de cerveja para um paciente diagnosticado com câncer de pâncreas. Ele havia recebido uma série de restrições em sua rotina, inclusive a suspensão da ingestão de bebidas alcoólicas. Foi justamente isso que provocou uma depressão, piorando o seu quadro clínico.
De acordo com a enfermeira Henara Ataide, que acompanhou o caso, o câncer evoluiu para uma metástase, o que tornava o consumo de álcool proibitivo para o paciente, porém, diante do prognóstico de dias de vida do paciente, a ingestão da bebida foi liberada.
“O médico entendeu que a depressão causada pela suspensão da bebida ia piorar o quadro clínico e liberou o consumo de cerveja em casa e em quantidade reduzida como forma de manter a rotina do paciente”, esclareceu.
Paliativos e essenciais
Muito além da simples assistência, os cuidados paliativos visam a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares diante de uma doença que ameace a continuidade da vida. Nessa hora, o que vale é redução do sofrimento físico, emocional e social.
“Hoje o meu paciente é outra pessoa. Ele não vai na rua, mas a esposa compra a cerveja e ele bebe em casa, ouvindo música. Essa é a qualidade de vida que ele escolheu, e que ele tem”, conta a enfermeira Henara Ataíde.
A enfermeira ressalta ainda que a decisão para o início desse procedimento deve ser tomada em conjunto pelo paciente, familiares e equipe médica.
“Às vezes, pela condição do paciente, a família que se encontra sobrecarregada e, por mais que tenha um técnico de enfermagem prestando assistência 24 horas por dia, a rotina da casa acaba sendo totalmente modificada e é necessário uma rede multiprofissional para atender as diversas áreas”, declara.
A enfermeira disse ainda que já presenciou vários casos de familiares que se encontravam exaustos e que necessitavam de um apoio psicológico para lidar com a situação.
“Nós buscamos formar uma rede de apoio para esse paciente, pois uma ou duas pessoas da família acabam sempre ficando sobrecarregadas, então há a necessidade de uma equipe multiprofissional para prestar assistência também a família”, aponta.
O tratamento, nesse caso, é baseado na redução do sofrimento físico, emocional e social. A enfermeira fala que outro termo usado no processo é a ortotanásia, trabalhando o curso natural da morte, mas sem sofrimento.
“O meu foco, nesse caso, é manter o paciente com o máximo de qualidade de vida, bem como proporcionar a família uma rede de apoio”, anuncia.
Outro caso foi uma paciente de 96 anos, totalmente lucida e orientada, sem nenhuma doença pré-existente que perdeu a filha durante a pandemia, por covid-19.
“Depois que ela perdeu a filha, foi se entregando e já não queria mais se alimentar, não queria levantar da cama, e como já era uma senhora magra, começou a perder muito peso e atrofiar encima da cama. Por fim, ela relatou pra família algumas vezes que queria partir, pois não aguentava a perda da filha, e por mais que tivéssemos uma equipe prestando os atendimentos necessários, a paciente optou por deixar a morte vir, devido a situação que ela apresentou. Com os cuidados paliativos, muitas vezes passamos por essa situação” conclui.
Princípios:
  1. Promover o alívio da dor e de outros sintomas.
  2. Afirmar a vida e considerar a morte como um processo natural.
  3. Não acelerar nem adiar a morte.
  4. Integrar os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado ao paciente.
  5. Oferecer um sistema de suporte que possibilite ao paciente viver tão ativamente quanto possível, até o momento da sua morte.
  6. Oferecer sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e a enfrentar o luto.
  7. Promover a abordagem multiprofissional para focar nas necessidades dos pacientes e de seus familiares, incluindo acompanhamento no luto.
  8. Melhorar a qualidade de vida e influenciar positivamente o curso de vida.
  9. Ser iniciado o mais precocemente possível, juntamente com outras medidas de prolongamento da vida, como a quimioterapia e a radioterapia, e incluir todas as investigações necessárias para melhor compreender e controlar situações clínicas estressantes.
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