O dia 10 de abril é uma das datas mais tristes para os fãs dos Beatles. Foi nesse dia em 1970 que Paul McCartney anunciou sua saída do quarteto de Liverpool, encerrando assim a trajetória artística do Fab Four. Uma semana depois, em 17 de abril de 1970, Paul lançaria o seu primeiro trabalho solo.
Embora McCartney não tenha dito que os Beatles haviam se separado, algumas de suas atitudes foram determinantes para o rompimento do grupo. Dentre elas podemos citar os seus comentários depreciativos sobre o grupo, a gestão do empresário Allen Klein e sua afirmação de que Lennon-McCartney.
As atitudes de McCartney também irritaram John Lennon, que havia deixado o grupo havia alguns meses . Ele, no entanto, foi convencido a não se manifestar enquanto o último álbum, Let It Be, estava prestes a ser lançado.
Apesar de ter chocado o mundo da música, a notícia, porém, não era tão inesperada. Havia uma expectativa de que tal anúncio seria feito a qualquer momento. A única dúvida talvez fosse como tal notícia seria dada.
Houve quem acusasse Paul McCartney de ter-se aproveitado dessa notícia para lançar o seu primeiro álbum solo, cujo título era somente McCartney. Porém, John Lennon e George Harrison já haviam lançado seus próprios álbuns solo e o último trabalho da banda, que não fazia mais nada desde janeiro de 1970, foi a gravação de I Me Mine por Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. A música, última gravada pela banda, foi incluída em “Let It Be”.
The Beatles – I Me Mine (Official Music Video)
Os Beatles, no entanto, não terminaram imediatamente após o anúncio de Paul. Um pouco sem saber o que fazer, John, George, Ringo e Klein se reuniram em várias ocasiões para decidir os passos seguintes do que restou da banda. Uma alternativa cogitada foi chamar o baixista alemão Klaus Voorman. Klaus era fotógrafo e amigo dos Beatles desde a época em que o quarteto se apresentava em Hamburgo, entre 1960 e 1962. Ele também já havia acompanhado John Lennon em shows no Canadá em 1969. A banda mudaria de nome e seguiria em frente. Um dos nomes cogitados foi The Ladder.
Era evidente que o grupo havia sofrido uma grande perda e que as coisas seriam muito diferentes sem Paul. O passo seguinte para o fim dos Beatles foi dado por George Harrison poucas semanas depois, quando, completamente imerso em seu majestoso álbum solo triplo, All the Things Must Pass, Harrison avisou John Lennon e Ringo Starr que estava fora e que anunciaria oficialmente seu desligamento. Logo em seguida os três emitiram um comunicado conjunto, por meio do qual anunciavam o fim da banda.
Para muitos esse foi o verdadeiro fim de uma era. Para outros, como certa vez disse o guitarrista californiano Jorma Kaukonen, do Jefferson Airplane, foi o fim de tudo. Seja qual for a sua opinião a respeito dos Beatles, não se pode negar que o quarteto de Liverpool estabeleceu muitos padrões estéticos usados na indústria da música até hoje.
Não há como voltar no tempo para impedir o fim dessa era, mas tampouco é possível imaginar como seria um mundo sem a influência dos Beatles. Pode-se dizer que o sonho com os Beatles acabou, mas ainda há muitos que sonharam e sonham a partir de sua música. Nesse sentido, pode-se dizer que o sonho não acabou, apenas mudaram os sonhadores.







