Comemorar é um Ato de Resistência

​Eu gosto de comemorar meu aniversário! Há quem fuja da data, mas eu prefiro o movimento, a energia que dá um certo trabalho, mas devolve uma satisfação imensa.

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Não vejo a celebração como um ato narcísico; pelo contrário, é um evento planejado para o outro. É a beleza de ver pessoas queridas se encontrando, socializando e exercendo o direito de serem felizes juntas.

​A alegria, para mim, vem desse “passeio pelas mesas”. É o olhar atento de quem quer certificar-se de que todos estão comendo bem, que o bolo cumpriu seu papel e que o afeto está circulando.

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É um ritual! O resultado só é positivo quando percebo o entrosamento, o riso solto e aquela sensação rara de que a ilusão da liberdade finalmente ganhou espaço em um mundo tão fechado e produtivista.

​Comemorar aniversário é como realizar um culto ancestral, quase analógico. Existe uma coreografia própria: os primeiros convidados chegam tímidos, entregam os presentes com aquela insegurança gentil e, aos poucos, vão se integrando aos grupos que chegam em seguida.

Cada um ali cumpre um papel fundamental para a nossa saúde mental e física: o exercício da socialização!

​Eu amo ouvir histórias, abraçar, tocar e sentir a presença vibrante das pessoas.

Não há maior demonstração de carinho do se aprontar, escolher uma roupa bonita e buscar um presente com cuidado apenas para estar ao lado de quem está completando mais uma volta ao sol. É um gesto de doação!

​Em um mundo que, por vezes, parece tentar nos sufocar, completar mais um ano de vida torna-se um ato de resistência implacável.

Nos últimos anos, as perdas bateram à porta; amigos e conhecidos se foram em partidas que mexeram profundamente comigo.

Mas, neste último dia 7 de abril, pude senti-los comigo. Eles estavam presentes em cada abraço daqueles que vieram celebrar.

​Ali, em torno de uma mesa cheia de gente viva e pulsante, reencontrei o afeto deixado por quem já partiu. E não existe nada mais bonito do que isso: transformar a saudade em celebração da vida!

​A vida, definitivamente, não teria graça sem a força das amizades genuínas.

Seguimos, nos pequenos gestos, resistindo e, acima de tudo, celebrando a vida!

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Fabrício Costa
Fabrício Costa
Geógrafo e mestre pela UFES, Fabrício é o coração d'A Oca, no Centro de Vitória. Entre mapas e afetos, trocou o rigor técnico pela potência da arte e gastronomia. Bruxo, poeta e múltiplo, faz do seu território um espaço de acolhida, resistência e evolução constante.

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