Sem água e sem salário: crise na FAFI expõe abandono de espaço cultural em Vitória

Falta de abastecimento de água potavel e atrasos salariais reacendem debate sobre estrutura e valorização da Escola Técnica de Teatro, Dança e Música

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Tem dias em que o drama sai do palco e invade os bastidores. E não é ensaio, nem performance experimental. É vida real mesmo, daquelas que não aceita improviso. Na última semana, alunos e professores da Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música FAFI enfrentaram uma situação que beira o absurdo: falta de água potável durante o período de aulas. Sim, água. Aquela coisa básica que a gente só lembra que é essencial quando falta. O problema começou na quinta-feira (12) e se estendeu pelos dias seguintes. Na sexta (13), as aulas foram encerradas mais cedo. Já na segunda (16), mesmo sem abastecimento suficiente, as atividades continuaram normalmente, o que gerou indignação entre estudantes e profissionais. E ainda hoje (17), alunos relatam que os aparelhos de ar-condicionados não estão funcionando. Então, passando calor e sem água para hidratar. Porque dá para improvisar cena, mas não dá para improvisar hidratação.

Falha no abastecimento ou descaso estrutural? De acordo com relatos apurados no local, a interrupção no fornecimento não teria sido causada diretamente pela instituição, mas sim pela empresa responsável pela entrega de água. Ainda assim, entre alunos e funcionários, circula a informação de que o problema pode estar ligado ao atraso no pagamento do serviço por parte da Prefeitura de Vitória.

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Até o momento, não houve posicionamento oficial detalhado sobre a causa do desabastecimento. O episódio acontece em meio a outro problema já denunciado: o atraso no pagamento de professores da FAFI, registrado desde novembro de 2025. A situação ganhou repercussão após manifestação pública da vereadora Karla Coser, que cobrou explicações sobre a situação da instituição. Segundo ela, além dos salários atrasados, há uma série de problemas estruturais no prédio, como falta de iluminação adequada, pisos danificados, infiltrações e equipamentos comprometidos.

A ausência de água em um ambiente educacional não é apenas uma questão de incômodo. É uma questão de saúde pública. Dados do Ministério da Saúde indicam que milhares de crianças e adolescentes já morreram no Brasil em decorrência de doenças relacionadas à falta de saneamento básico. O acesso à água potável é reconhecido como direito fundamental e condição básica para a permanência em ambientes escolares. A UNICEF reforça que escolas e espaços educativos devem garantir acesso contínuo à água limpa, especialmente para crianças e adolescentes, que são mais vulneráveis a problemas de saúde. Em termos legais, o Artigo 227 da Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelecem prioridade absoluta na garantia de direitos básicos, incluindo saúde e dignidade. Ou seja, não é favor. É obrigação.

Fundada em 1992, a FAFI é uma das principais instituições de formação artística do Espírito Santo. Localizada no Centro de Vitória, a escola oferece cursos gratuitos de teatro, dança e música, atendendo crianças, jovens e adultos. Ao longo de mais de três décadas, o espaço se consolidou como um polo de formação cultural e acesso democrático à arte. Especialistas em políticas culturais apontam que instituições como a FAFI desempenham papel estratégico na formação de artistas e no fortalecimento da identidade cultural local. Quando esses espaços enfrentam precarização, o impacto vai além dos muros da escola. Atinge toda a cadeia cultural. Mas, vale lembrar, a FAFI não é uma instituição controlada por empresas ou pessoas; o Órgão responsável é a Prefeitura de Vitória, e, a cada ano parece que diminui a importancia dessa instituição.

Enquanto isso, professores seguem trabalhando, alunos seguem frequentando e a arte segue acontecendo. Mesmo com estrutura comprometida, e isso é quase um ato de resistência diária.

Mas resistência não deveria ser pré-requisito para estudar ou ensinar. A pergunta que fica não é complicada: Se a cultura é tão celebrada nos discursos, por que ainda falta o básico nos bastidores? Talvez esteja na hora de trocar o roteiro. Porque sem água, sem estrutura e sem valorização, o espetáculo não pode continuar.

 

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