Sabe aquele livro que você julga pela capa e, dessa vez, acerta em cheio? Foi o que aconteceu comigo em Casas Estranhas. Logo na primeira página, dei de cara com a planta de uma casa. E aqui vai um fato sobre mim: eu amo plantas de casas. Sério, muito mesmo. Então, quando o livro já começa te desafiando com um “você consegue ver algo de errado aqui?”, eu já estava totalmente fisgada.
O Olhar de Detetive
O mais engraçado foi que, assim que olhei para a planta, comecei a notar: “isso aqui está errado”, “isso aqui também”. Emprestei para alguns amigos e, pasmem, ninguém percebeu nada! Eles só foram descobrir os problemas conforme a leitura avançava. É uma sensação muito boa perceber os detalhes desde o início, mas o autor é tão genial que, mesmo você notando o “que”, você ainda não tem a menor ideia do “porquê”.
O livro vai conectando os pontos de um jeito que, por mais absurdo que pareça, tudo acaba fazendo sentido. A dinâmica entre o narrador e o arquiteto Kurihara é incrível; eles são amigos e colegas que trocam ideias de um jeito muito real, tipo: “Cara, olha que negócio esquisito aqui, me ajuda a entender”. É uma parceria muito bacana de acompanhar.
Muito Além de um Quarto Sem Janelas
Teve uma hora que vi um quarto sem janelas e meu primeiro pensamento foi: “Cativeiro!”. Mas garanto para vocês: é bem mais louco do que parece. O livro é super visual; as plantas se repetem, têm zooms, círculos vermelhos e evidências sobrepostas para você comparar. Se você não viu o erro no começo, o livro te pega pela mão e mostra. Se não me engano, analisamos umas três casas diferentes ao longo da história, e essa repetição visual ajuda muito a entrar no clima da investigação.
Tradição ou Loucura?
Para além do mistério, o livro traz uma crítica profunda sobre o que as famílias escondem. Tem toda uma questão de legado e tradição japonesa que passa de geração em geração. Chega um ponto em que a família está fazendo coisas bizarras e eles nem sabem mais o porquê — fazem só “porque sempre foi assim”. A motivação original se perde e sobra apenas um comportamento estranho e automático.
Confesso que, como o autor é japonês, me enrolei um pouco com os nomes dos personagens (sou péssima para lembrar quem é quem!), mas a ambientação da arquitetura tradicional japonesa é riquíssima e compensa qualquer confusão nominal.
Veredito: Muitas Reviravoltas!
Se eu tivesse que definir o livro em uma frase, seria: Muitas reviravoltas. É um livro curto, com início, meio e fim muito bem amarrados, mas que explode a sua cabeça a cada capítulo. Os personagens nunca são o que parecem ser e as pistas vão se acumulando de um jeito viciante.
Já estou ansiosíssima para o segundo livro! Li na sinopse que o narrador e o arquiteto ficam famosos após esse caso e começam a receber várias outras denúncias de casas estranhas. Se o primeiro foi desse nível, imagina o que vem por aí?






