A vida não é uma linha reta; ela é feita de ciclos. Alguns são macros — como a infância, a maioridade e a chegada dos 40 ou 50 anos — e outros são microciclos, aquelas curvas inesperadas que nos obrigam a recalcular a rota. Recentemente, me vi exatamente em uma dessas encruzilhadas.
Após dois anos atuando na Secretaria Estadual das Mulheres, encerrei um capítulo em 2025 e me deparei com o vazio do ‘e agora?’.
Sou advogada por profissão, mas sabia que não queria voltar para áreas de muita tensão, como o enfrentamento às violências contra as mulheres. Eu buscava algo novo, mas que carregasse o que aprendi pelo caminho.
Passei sete meses mergulhada no universo da visibilidade digital e do comercial. Ali, redescobri o prazer do contato com as pessoas e a arte de oferecer soluções. Mas a vida tem formas curiosas de nos cobrar decisões adiadas.
Desde 2023, eu vinha postergando a entrada definitiva na empresa de topografia do meu marido. Em um negócio familiar, se um ganha, todos ganham; se um perde, todos perdem. E como diz o ditado antigo: não dá para “assoviar e chupar cana” ao mesmo tempo. Era hora de escolher um caminho.
Em fevereiro de 2026, tomei minha decisão. Voltei ao Direito, mas por uma porta nova: a da regularização imobiliária. Estou no “verbo esperançar”, construindo um novo percurso que une minha experiência em licitações e meu lado comercial.
Nessa caminhada, lembro muito do meu pai. Ele saiu do Exército em 1985, com mais de 40 anos e sem nada garantido, para recomeçar do zero e sustentar nossa família. Ele me ensinou que nunca é tarde para se perceber, se descobrir e arriscar. Se ele pode, eu também posso.
AOS 50, A VIDA PULSA SEM PARAR!
Essa vontade de experimentar me levou, há duas semanas, a um lugar inusitado: uma seletiva de modelos 50+. Quando me perguntaram o que eu estava fazendo ali, a resposta foi simples: eu quero viver. Quero acumular histórias, como o banho de caminhão-pipa que tomei neste Carnaval, algo que nunca tinha feito na vida.
A verdade é que, se você não se colocar em movimento, se não se jogar, o “não” já é garantido.
Mas, e o “sim”? O “sim” só aparece para quem se atreve. Vai que dá certo? Vai que vira um trabalho, um dinheiro extra ou até uma nova carreira?
Aos 50, sigo aprendendo que a riqueza não está apenas no ponto de chegada, mas na diversidade do percurso.
Meus ciclos continuam abertos
E os seus? Vamos que vamos!







