“Elvis não morreu!” Essa é sem dúvida uma das frases mais ouvidas nas últimas décadas. Para muitas pessoas essa afirmação alimentou teorias de que tanto Elvis quanto outros famosos estariam vivos, mas em anonimato. Há, no entanto, aqueles que se utilizam dessa declaração para encarnar seus ídolos e manter sua obra e seu carisma vivos.
No último dia 4 de março, os capixabas tiveram sua oportunidade de estar mais perto do rei do rock. Apesar de não estar entre os vivos há quase cinco décadas e de nunca ter saído do território americano em vida, Elvis esteve em Vitória por meio de Dean Z.
Como era de se esperar, durante a apresentação, o artista norte-americano procurou transmitir a sensação de que estávamos diante do próprio Elvis Presley. O figurino, os trejeitos, a coreografia e a voz foram replicados nos mínimos detalhes. Houve um momento do espetáculo que Dean Z fez uma espécie de dueto com o Elvis, que apareceu em vídeo gravado antes de sua morte.
Dean Z, no entanto, não é o único a homenagear Elvis ou outro ícone da música. Dentre tantos talentos inspiradores temos também o caso de Rodrigo Teaser, conhecido por reproduzir a voz e a coreografia de outro rei, Michael Jackson, o rei do pop.
Em ambos os casos, a intensidade da admiração pelo seu artista favorito se converteu em uma carreira que os levou a turnês em seus países de origem e a outras partes do mundo. Isso não aconteceu só aos dois performers mencionados neste texto. O mesmo se deu a imitadores de grupos como The Beatles.
Esses fenômenos nos leva a um questionamento: o que faz com que uma pessoa se dedique tanto a um artista a ponto de sua paixão transformar sua vida tão radicalmente? Vamos a algumas explicações.
O primeiro e principal aspecto da admiração é a identificação. Um artista muitas vezes abraça virtudes, talentos ou um estilo de vida que desejamos para nós mesmos. Tornam-se assim uma espécie de “espelho do eu ideal”. Isto acontece principalmente durante a adolescência, quando construímos nossa própria identidade e buscamos referências . Ao imitar um artista, ensaia-se ser aquela versão idealizada de si mesma.
Imitar o seu artista favorito pode ser uma tentativa de se sentir mais próximo do ídolo e fortalecer o que os psicólogos chamam de relação parassocial, que é a sensação de intimidade e conexão que uma pessoa desenvolve com uma figura pública que não o conhece. Quando se adota o estilo do artista, o fã sente que compartilha algo íntimo com ele e alimenta a fantasia de haver uma conexão especial entre ambos.
Compartilhar um ídolo e imitá-lo é uma forma poderosa de criar laços. Fazer parte de uma comunidade de fãs (“fandoms”) que se veste, fala e age de maneira semelhante gera um forte sentimento de pertencimento e comunidade. Isso é particularmente visível em grupos como os fãs de K-pop, que frequentemente desenvolvem uma forte identidade coletiva.
Seja qual for a explicação que cada um encontra para si, não se pode negar que a imitação de um artista também é uma forma de imortalizá-lo por meio de sua obra. Passadas décadas de sua ausência física, a paixão por seu talento e seu carisma é transmitido de geração a geração e incentiva outros que não presenciaram uma única apresentação ao vivo e aos vivos a imitar seus gestos.
Por isso, podemos afirmar com certeza que “Elvis não morreu!”







