13 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Paradoxos Linguísticos e a Filosofia da Humanidade

Olá, caros leitores capixabas de mentes inquietas! Se você já se sentiu como um turista perdido em Jardim da Penha, seja bem-vindo à nossa coluna. Hoje vamos falar sobre algo que está em todo lugar: principalmente na conversa de Boteco quando a maioria já bebeu demais! 

Continua após a publicidade

Como bem disse o mestre Sócrates (o grego, não o jogador, embora ambos fossem craques no meio de campo da vida): “Só sei que nada sei”. Essa frase é o “trailer” perfeito para o tema de hoje: o Paradoxo Linguístico. É aquela sensação de que a linguagem foi criada para nos explicar as coisas, mas passa metade do tempo nos dando um “balão”. Sabe quando o filme é tão bom que o mineiro diz que ele é “terrível de bom”? Pois é, sua mente acabou de dar um nó digno de marinheiro.

Antes de entrar realmente no assunto, vou contar uma historinha que eu escrevi, se você não entender nada, continue lendo que pode ser que até o final da coluna você entenda algo (ou não).

Continua após a publicidade

Filosofia da Humanidade

Havia um defunto morto de pele morena, que era careca e tinha longas tranças loiras. Ele estava num oceano sem água dentro de um barco de papel sem fundo, o defunto analfabeto lia um jornal sem letra que estava escrito: “Foi assassinado o suicida que morreu atropelado”. Com isso, o presunto lembrou daquilo que ele tinha feito no passado presente: Ele havia subido num pé de manga, para roubar umas jabuticabas, mas, as uvas estavam verdes, então ele teve que descer de lá com as goiabas, e, no caminho ele sentiu com seus olhos a vaca botando um ovo e um lenhador tirando leite da Galinha, então ele se perguntou: Se tem mosquito porque ficarei aqui?

O Presunto defumado pegou um trem que andava no Oceano Atlântico até Porto Pobre e depois um navio que andava na linha direta até Bermudas, mesmo o defunto estando sem calças, ele estava sem ir ao banheiro há dias. A polícia o avistou e disse que ele seria preso em flagrante, por que ele estava prendendo o seu ventre, as autoridades só deixariam sair quando o morto que havia morrido respondesse a seguinte questão: Qual a cor do Cavalo Branco de Napoleão? Ele respondeu. O outro policial perguntou: Por qual motivo todos fazem esta pergunta? O Defunto Morto conscientemente respondeu: Pelo mesmo motivo que o Super-Homem usa cueca por cima da calça! Saindo da delegacia, ele viu uma galinha tentando atravessar a rua, um cidadão que passava perguntou: É pavê ou pra comê? Mas ele ficou quieto e seguiu seu caminho. Andando ele viu uma placa escrita: “É proibido pisar na grama”, mas, se questionou como ela foi colocada? Viajando olhando para cima veio um veículo na rua e ao invés de ver toda a sua vida diante de seus olhos, ele se lembrou de todas as questões não resolvidas da humanidade: “Por que a palavra “pequena” é maior que a palavra “grande”? Como se escreve o zero em algarismos romanos? Por que se usa uma injeção esterilizada num condenado à morte por injeção letal? Para onde vai o escuro quando se acende a luz? Quando vão ao banheiro como os cegos sabem que terminaram de se limpar? Se depois do banho estamos limpos porque lavamos a toalha? Para que serve o bolso em um pijama? Por que o nosso planeta se chama Terra se a maior parte dele é água? Se o vinho é líquido, como pode ser seco? Por que, no Brasil, após o asfaltamento de uma rua, as empresas de saneamento arrebentam o asfalto para colocar sua tubulação? Por que chamamos de “papel de bala” se a bala é embalada num plástico? Por que a bota a gente calça e a calça a gente bota? Porque lojas abertas 24 horas possuem fechadura? Porque laranja chama laranja e limão não chama verde? Por que a gente aperta os botões do controle com mais força, quando a pilha está fraca?”

E o veículo o atropelou. Seu corpo foi jogado no mar, o filósofo não podia mais pensar, e ele de repente acordou nadou até um barco onde tinha um jornal, ele sentou, abriu e viu tudo isso que ele sentiu.

Ufa, acabou a história! Entendeu algo?

Vou tentar te dar exemplos e coisas que ocorrem nas filosofias da Humanidade para conseguir mostrar mais do assunto. Um fato é que a linguagem foi inventada para organizar o caos. Resultado? Criou um caos mais sofisticado. Antes a gente só se confundia com gestos. Agora se confunde em três idiomas e com nota de rodapé. Então, segundo o site Mundo Educação, o paradoxo linguístico, ou oxímoro, é uma figura de pensamento que combina ideias contrárias e contraditórias em uma única sentença, desafiando a lógica, o senso comum e a coerência direta. Diferente da antítese, ele não apenas aproxima opostos, mas os funde para criar um sentido novo, profundo, engraçado ou poético.

Comecemos pelo clássico dos clássicos: “esta frase é falsa”. Se for verdadeira, é falsa. Se for falsa, é verdadeira. A cabeça trava igual internet discada. Os gregos já estavam quebrando neurônios com isso, o que prova que a humanidade sempre teve tempo livre suficiente para complicar o óbvio.

Wittgenstein entrou nessa briga achando que a linguagem era um espelho do mundo. Depois percebeu que o espelho estava meio embaçado e mudou de ideia. Concluiu que o sentido depende do uso. Traduzindo: não adianta analisar a frase “tá tudo bem” sem olhar a cara de quem disse. O português sempre disse para analisar o Sujeito! Pode significar paz interior… ou pedido urgente de socorro com sorriso educado.

Isso me fez lembrar um esquete do grupo Barbixas:

 

Esse vídeo revela muito: Quando pessoas desviam o verbo, é preciso descobrir rapidamente quem foi o sujeito. É uma aula de Português! E também de Filosofia.

Porque aí tem o tal do paradoxo performativo. Quando alguém diz “eu prometo”, não está descrevendo nada. Está criando um problema futuro. Prometendo alfo que vai acontecer! A fala vira ação. 

Dizemos “qualquer dia a gente marca” sabendo que nunca vai marcar. Falamos “precisamos conversar” e ninguém dorme naquela noite. A linguagem aproxima, mas também instala pânico gratuito.

Heidegger chamou de falatório essa conversa automática que preenche o silêncio sem revelar nada. É o modo avião da profundidade. A pessoa fala, fala, fala… e no final você descobre que poderia ter sido um whats de duas linhas.

O grande paradoxo é que usamos palavras para explicar os limites das próprias palavras. É como tentar morder o próprio dente. A linguagem é ferramenta maravilhosa, mas vem sem manual claro. E mesmo assim seguimos falando, discutindo, prometendo e filosofando. Porque no fundo, apesar das armadilhas, preferimos nos enrolar em frases do que viver só por mímica. Embora, convenhamos, às vezes seria bem mais simples. 

Quando a Contradição Vira Piada

O humor adora um curto circuito mental. A gente espera uma linha reta e recebe uma curva fechada sem placa de aviso. É aí que mora o paradoxo. A lógica vai pegar um café e deixa a ironia tomando conta do expediente. Primeiro truque clássico: quebrar expectativa. Você prepara o cérebro para uma coisa e ele recebe outra. “Ele era tão pobre que só tinha dinheiro.” Pronto. A palavra pobre perdeu o emprego na mesma frase. O riso nasce desse tropeço elegante. Segundo ingrediente: o absurdo. Juntar opostos cria uma imagem mental que parece ter sido montada por um estagiário da realidade. “Sonhar acordado.” Se está acordado, não sonha. Se está sonhando, não acorda. Mas todo mundo entende. É o devaneio gourmet, versão poética da distração.

Tem também a ironia, que é o primo sarcástico do paradoxo. “O trânsito está parado.” Tecnicamente faz sentido. Mas o conceito de trânsito pressupõe movimento. Quando ele para, vira estacionamento coletivo forçado. A graça vem do contraste entre o que deveria ser e o que é. 

Alguns exemplos são quase música. “O riso é coisa séria.” Parece palestra motivacional, mas funciona. “Já estou cheio de me sentir vazio.” Renato Russo transformou crise existencial em verso cantável. “O silêncio é o grito mais forte.” Dramático, intenso e ótimo para legenda em rede social.

No humor visual, tirinhas fazem isso o tempo todo. O personagem diz “está tudo sob controle” enquanto o cenário pega fogo. Texto afirma, imagem desmente. O cérebro ri da própria confusão.

E claro, o campeão dos nós mentais: “Esta frase é mentira.” Se for verdade, é mentira. Se for mentira, é verdade. É o tipo de frase que não resolve problema nenhum, mas cria vários.

No fim, o paradoxo transforma o sem sentido em sentido figurado. A gente ri porque percebe a contradição e, por um segundo, entende que a lógica também gosta de brincar.

O Navio de Teseu: O “Remake” Infinito da Realidade

No teatro e no cinema, amamos um remake. Mas a filosofia grega já fazia isso muito antes de Hollywood. Plutarco nos apresentou o Navio de Teseu: se você trocar todas as tábuas de um barco, uma por uma, ele continua sendo o mesmo? No palco da vida, somos esse navio. Trocamos de células, de roupas, de opiniões e até de namorado(a) no Carnaval de Guarapari, mas juramos que somos a mesma pessoa.

Aí entra o humor. Como diz a piada clássica: “Ele era tão pobre, mas tão pobre, que a única coisa que ele tinha era dinheiro”. É o paradoxo puro! A frase se nega enquanto se afirma. É como aquele ator que entra em cena para interpretar o “homem invisível” e reclama que ninguém está olhando para ele. O riso nasce justamente desse curto-circuito lógico.

Dramas Matemáticos: Onde o 11.630 é a Estrela

Se você acha que matemática é chata, é porque não conhece o Paradoxo do Interesse. Basicamente, todo número tem algo especial. O 1 é o primeiro, o 2 é o menor primo par… e quando chegamos em um número que parece não servir para nada, ele ganha o troféu de “o primeiro número que não tem nada de interessante”. Ou seja: ele se torna interessante por não ser interessante!

É a mesma lógica do figurante que rouba a cena por ser o único que não faz nada. No cotidiano capixaba, é como aquela rua que não tem nenhum buraco: ela se torna a rua mais famosa da cidade justamente por essa “falha” bizarra na matriz urbana.

Ardil-22 e o Paradoxo do Estagiário

No cinema, temos o clássico exemplo de “Ardil-22”. O piloto quer sair da guerra e diz que está louco. Mas a regra diz: se você quer sair da guerra para salvar sua vida, você é alguém perfeitamente são. Logo, tem que continuar lutando. É o “beco sem saída” mais engraçado e trágico da literatura.

Vivemos isso no dia a dia. Você precisa de experiência para conseguir o emprego, mas precisa do emprego para ter experiência. É o paradoxo do estagiário! Ou o famoso paradoxo de Heidegger: o “falatório”. Falamos “estou bem” só para a conversa fluir, enquanto por dentro estamos processando mais erros que o Windows 95. Como diria o comediante Renato Russo em um momento de pura ironia: “Já estou cheio de me sentir vazio”. É a plenitude da falta, entende? (Nem eu, mas soa profundo!).

Paradoxo de Fermi

Para fechar nossa noite de gala intelectual, temos o Paradoxo de Fermi. Se existem bilhões de planetas como a Terra, cadê os alienígenas? Por que eles não mandam um WhatsApp? Talvez eles estejam nos vendo como aquele filme cult que ninguém entende e decidiram esperar a gente “amadurecer” tecnologicamente. A verdade é que a linguagem é uma régua tentando medir a própria régua. Usamos palavras para explicar que as palavras não explicam tudo. É como tentar apagar o fogo com gasolina ou, como diz a piada do Costinha, tentar ensinar o papagaio a falar e descobrir que ele só sabe guardar segredo: “Ele não fala nada, mas presta uma atenção danada!”.

Seja na “Filosofia da Humanidade” do nosso defunto de tranças loiras ou nas equações de probabilidade do paradoxo do aniversário (onde 23 pessoas em uma sala são o suficiente para um “parabéns pra você” em dobro), o que importa é o jogo. A linguagem não é um espelho fiel, é uma lente de aumento que, às vezes, queima o que estamos tentando ver.

Rir do paradoxo é a única forma de não enlouquecer com ele. Afinal, se o vinho é líquido, como ele pode ser seco? Se a gente está limpo depois do banho, por que a toalha fica suja? Se você chegou até aqui e entendeu tudo, parabéns: você provavelmente não entendeu nada, e isso é a coisa mais socrática que você fará hoje.

Gostou da reflexão? Na próxima vez que vir uma placa de “Proibido pisar na grama”, pergunte-se como o jardineiro chegou lá para colocá-la. E siga rindo, porque o riso, como sabemos, é uma coisa muito séria.

“Só sei que nada sei”. O que, convenhamos, é a maneira mais elegante da história de admitir que estava todo mundo meio perdido… mas filosofando com estilo.

Continua após a publicidade
Daniel Bones
Daniel Bones
Sou o "Severino do Audiovisual Capixaba", já atuei em diversas áreas como fotografia, edição, sou ator, compositor, produtor e diretor de filmes e TV. Gosto de contar histórias. Ponto Final. (...) Aqui, minha coluna é cultural, mas vive com uma dor postural. Eventos, Arte, Cultura, Cinema e Teatro são comigo aqui! Se quiser, siga essa doideira ai!

Vitória, ES
Temp. Agora
29ºC
Máxima
30ºC
Mínima
22ºC
HOJE
13/02 - Sex
Amanhecer
05:31 am
Anoitecer
06:19 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
5.14 km/h

Média
25.5ºC
Máxima
28ºC
Mínima
23ºC
AMANHÃ
14/02 - Sáb
Amanhecer
05:32 am
Anoitecer
06:18 pm
Chuva
0mm
Velocidade do Vento
5.76 km/h

Carnavalizando a política

Ulisses Mantovani

Leia também