Todo ano eleitoral surgem os desafios para todos que lutam para que mais mulheres sejam eleitas.
Costumo falar, com musculatura política, que os partidos que fizeram seu dever de casa terão mulheres fortalecidas. Se investirem em suas visibilidades e se forem projetos políticos de comprometimento dos partidos, têm chance de se eleger, pegar uma suplência ou ficarem bem posicionadas no ranking de lideranças.
Mulheres com voto são poucas. No cenário de poucas eleitas, o número de quem tentou e não conseguiu é grande, mas diferente da expectativa de que irão concorrer na próxima eleição e aumentar a chance de ganhar, é mínima.
Por quê?
Pois, segundo as nossas estatísticas, as candidatas chamadas de última hora, essas que não estão em projetos políticos, apenas 10% permanecem na política.
Costumo dizer que o sistema mata as mulheres no ninho. Não dá tempo para as candidatas sentirem o desejo de avançar, pois a decepção com o processo é maior.
O que tem melhorado então?
Com tudo isso, ainda crescemos 2,5% no número total de eleitas. De 10% de 2020, passamos para 12,5% em 2024, entre prefeitas e vereadoras. Muito longe dos 50% que buscamos.
Não fizemos o cálculo do total de votos femininos em 2024, comparados com 2020. Mas, avaliando as listas pós-eleição, pude perceber o quanto algumas aumentaram os seus quantitativos.
O que isso significa? Valentia, determinação, obstinação e outros adjetivos altruístas que encontrarmos.
As mulheres desejam chegar lá. Mesmo não sendo valorizadas nos projetos partidários, mesmo chamadas de última hora, mesmo que tudo seja exatamente igual ao que sempre foi, temos este diferencial.
Nós, mulheres, queremos entrar nesse espaço de representatividade e decisões que nos é devido. É justo que legislemos em favor daquilo que acreditamos. Alcançar maiores espaços no executivo será consequência. Pois, aprovadas e preparadas para um poder, o outro será questão de tempo e desejo. Após alcançarmos o legislativo com igualdade, será um novo tempo para a política.
Com nossa fibra moral e ética, esperamos contribuir para que a política saia da lista dos piores desempenhos das atividades avaliadas/profissões. Não desejamos estar entre os bombeiros, mas também não desejamos estar tão longe da expectativa da população, no que se trata de instituições ou atividades que possuem a responsabilidade de representar a população.





