26 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Luz, Palco, Educação! Por que o Teatro é o “Upgrade” que as Crianças Precisam

“O saber que não vem da experiência não é realmente saber” – Lev Vygotsky

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Fala, galera! Se você acha que teatro é só gente de meia-calça declamando “ser ou não ser” num palco empoeirado, senta aqui que precisamos conversar. Hoje vou falar sobre um tema atual e recente na minha vida, e tentar te mostrar que o tablado é, na verdade, uma das maiores “escolas da vida” que existem. O Dicionário de Definições de Oxford (PT-BR), define a palavra “tablado”, como uma estrutura de madeira elevada do chão para apresentações artísticas, comícios, ou seja, um palco. Ou um lugar onde decorre qualquer ato ou cena.

No teatro infantil, vamos dizer que o tablado salva a infância da mesmice, transformando a alfabetização em um grande espetáculo. Prepare a pipoca, porque o show, do Faz-de-Conta ao Beabá, vai começar!

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Para educadores e cientistas, o teatro não é só “bagunça organizada”. É uma ferramenta de civilidade. Sabe aquele seu primo que não consegue pedir uma coxinha sem gaguejar? Talvez tenha faltado um pouco de teatro na infância dele. A arte dramática ajuda a criança a se tornar extrovertida, a memorizar falas e a socializar.

O lúdico, a contação de histórias e o teatro são fundamentais na educação infantil, pois estimulam a imaginação, a criatividade e a linguagem, transformando o aprendizado em um processo prazeroso. Essas práticas desenvolvem a cognição, a empatia e a capacidade de lidar com emoções, auxiliando na formação de vínculos afetivos e na compreensão do mundo.

Para a artista circense, atriz e Educadora artística, Raíza Dietrich, a prática vai muito além das brincadeiras, que fomenta a criatividade.

“A prática das artes cênicas com crianças vai muito além do entretenimento e brincadeiras. É uma ferramenta cerebral e física que utiliza o lúdico para construir bases sólidas. O teatro trás a criança pro aqui e agora, auxilia no fomento da criatividade, foco e concentração. Um lugar de encontro, onde a criança aprende a ver o mundo com outros olhos. Aprende o lugar da própria voz, o respeito ao espaço do outro, entende que o erro faz parte da jornada de quem se atreve a tentar”. – Raíza Dietrich

A criança não se desenvolve plenamente sem arte. Desde Platão, ela é entendida como parte essencial da formação humana. No cotidiano, isso já aparece no tal do jogo simbólico: a vassoura vira cavalo, espada, sabre de luz. A escola não precisa inventar nada mirabolante, só canalizar esse faz de conta com intenção pedagógica. O teatro na escola não é novidade absoluta, mas ainda está em expansão. E aqui vai um ponto importante: para a criança, o poder não está apenas em atuar. Está também em assistir, ouvir, imaginar. Ser plateia também educa. O teatro cumpre funções vitais no ambiente escolar. Integra, ao permitir troca de ideias e emoções. Promove autoconhecimento, ajudando a criança a compreender o mundo e a si mesma. E equilibra o lúdico com o racional, desenvolvendo raciocínio enquanto diverte. Diversão com cérebro ligado, não é bagunça, é construção.

Lev Vygotsky, referência da Psicologia histórico-cultural, defendia que o desenvolvimento intelectual ocorre nas interações sociais. Sua ideia da Zona de Desenvolvimento Proximal mostra que a criança consegue avançar quando desafiada em um ambiente de troca. No teatro, ela vai além do que faz sozinha. Experimenta papéis, emoções e decisões que a fazem crescer. Quase um superpoder pedagógico.

Mas não basta jogar um figurino colorido e esperar aplausos de premiação. O papel do professor é central. Cabe a ele escolher histórias, criar ambientações e interagir de forma expressiva. Cada detalhe, do cenário à entonação, é convite para o imaginário.

Se levamos Vygotsky a sério, teatro infantil não é passatempo para gastar energia. É laboratório de humanidade. O faz de conta não é fuga da realidade, é ensaio para ela. Quando a criança brinca ou assiste a uma peça, mobiliza linguagem, emoção, regra e imaginação. Não é caos. É construção psíquica em cena.

No faz de conta teatral, a criança vive medo sem estar em perigo, tristeza sem perda real, coragem sem risco concreto. Isso é treino emocional seguro. A criança aprende que emoções têm começo, meio e fim, e que conflitos podem ser resolvidos, o vilão nem sempre vence. Ai isso fortalece o autocontrole e empatia. Isso é outro ponto, a Empatia não nasce pronta, ela é trabalhada, ensaiada (assim como o teatro). Então, o que passa é isso, Teatro é linguagem viva: Ritmo, entonação, metáfora, narrativa. A criança amplia vocabulário, estrutura sintática e compreensão simbólica. Porque, para Vygotsky, pensamento e linguagem crescem juntos. Onde falta palavra, falta mundo. Onde há história, há expansão de consciência. 

Para Vygotsky, imaginação não é fantasia vazia, mas sim uma combinação criativa da realidade. Quanto maior o repertório cultural, maior a capacidade criativa. Sem imaginação não há evolução, ou novas soluções para as questões da vida.

Sem solução nova, só repetição velha. Não é só “Era uma vez”. Para que o momento seja realmente deslumbrante, o segredo está na escolha da história. Não adianta querer encenar Shakespeare para quem ainda está aprendendo a amarrar o sapato (a menos que seja uma versão com fantoches e muito slime, talvez?). Muitos adultos cometem o erro de achar que teatro infantil é apenas um lugar para deixar os pequenos enquanto tomam um café. Não é!?

Mas, para fechar o assunto, (que parece redundante), vamos falar de um festival capixaba onde vai reunir várias programações para as crianças desenvolverem esse lado lúdico através do teatro.

Vem aí o FITICA – Festival Incrível de Teatro na Infância Capixaba! Marcado para os dias 22, 23 e 24 de maio de 2025, no icônico Palácio da Cultura Sônia Cabral, no coração de Vitória. O teatro chega para encantar a infância, para tornar mais criativa e inventiva a aventura de ser criança. Se toda criança nasce artista, o Fitica chega para garantir que ninguém perca esse superpoder no meio do caminho. Entre telas de celular, desenhos animados em looping e a eterna pergunta “já chegou?”, o teatro infantil aparece como aquele respiro mágico que faz os olhos brilharem e o cérebro acordar. E é exatamente isso que o Festival Incrível de Teatro na Infância Capixaba promete entregar ao público capixaba em sua primeira edição.

O idealizador, Vitor Passarim, conta que o projeto nasceu de um sonho e da percepção de que faltava um espaço exclusivo para o teatro infantil com curadoria de excelência. “O teatro é uma ferramenta de humanização em um mundo acelerado. Ele nos chama para viver o momento presente“, afirma Vitor.

A Passarim do Brasil, produtora por trás do evento, com apoio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo por meio do Funcultura e da Política Nacional Aldir Blanc do Ministério da Cultura, está cuidando de cada detalhe. O festival terá desde espetáculos premiados como “Azul” (RJ), que fala sobre autismo, até o musical capixaba “Nuvem D’água”, do Grupo Vira-Lata, focando em sustentabilidade. É diversão com propósito, do jeito que a gente gosta!

Com o tema “Educação, Arte e Sustentabilidade: o papel das crianças na construção de futuros”, o festival aposta em uma programação que diverte, mas também provoca pensamento. Afinal, enquanto os adultos discutem o planeta em mesas redondas, são as crianças que vão herdar a conta de luz da Terra.

Com programação que mistura espetáculos locais e nacionais, teatro de rua, oficinas e rodas de conversa, o Fitica chega com uma proposta clara: discutir educação, arte e sustentabilidade sob o olhar da infância. E não, isso não significa palestra chata. Significa circo, palhaçaria, máscaras medievais e até bonecos que falam sobre autismo. 

Entre os destaques nacionais está “Azul”, da Artesanal Cia de Teatro, do Rio de Janeiro, que aborda autismo e diversidade por meio do teatro de bonecos. A produção já circulou por importantes festivais brasileiros e é frequentemente citada em debates sobre inclusão nas artes, tema defendido por instituições como a UNESCO como essencial para o desenvolvimento social. Do Distrito Federal, a Cia Os Buriti apresenta “À Beira do Sol”, que discute imaginação e loucura com poesia cênica. Já o espetáculo “Vareta”, idealizado pelo ator e palhaço Ricardo Gadelha, mistura circo, acrobacias e humor físico, lembrando que rir também é ferramenta crítica.

No cenário capixaba, o musical “Nuvem D’água”, do grupo Vira Lata de Teatro, trata da escassez hídrica a partir das brincadeiras infantis. O premiado “O Rei de Quase Tudo”, do Grupo Regritiba, utiliza máscaras e estética medieval para falar de ambição e consciência social. E tem ainda o cortejo itinerante “Fuscalhaços”, do Grupo Árvore Casa das Artes, que chega de fusca roxo para transformar rua em palco.

Além dos espetáculos, o Fitica promove oficina de teatro com Ricardo Gadelha e debates voltados a artistas da área. A programação inclui homenagem ao ator e diretor capixaba Cleverson Guerrera, fundador do grupo Vira Lata de Teatro, reconhecendo trajetórias que ajudaram a consolidar o teatro infantil no Espírito Santo.

Se o futuro é das crianças, faz sentido dar a elas um palco. E, cá entre nós, talvez elas dirijam melhor essa peça chamada sociedade.

Segundo a organização, o FITICA é fruto de uma trajetória iniciada em 2014, com projetos culturais voltados às famílias. A percepção de que faltava um festival exclusivamente dedicado ao teatro infantil no Estado foi o estopim. A missão é direta e ousada: valorizar espetáculos de qualidade, promover encontros entre artistas capixabas e de outros estados e consolidar o Espírito Santo como polo de excelência em teatro infantojuvenil. Mais que isso, o festival propõe integração entre gerações. Ou seja, não é só entretenimento. É política cultural na prática, com direito a riso, reflexão e, quem sabe, uma lágrima discreta no escuro da plateia.

Para o idealizador, o teatro é uma ferramenta potente de humanização em tempos digitais. Em um mundo dominado por telas, o palco oferece algo raro: presença real. É o encontro de pessoas de carne e osso compartilhando o agora. O teatro exige atenção. Se você pisca, perde a cena. Se se distrai, perde o gesto. Essa experiência coletiva fortalece empatia e escuta ativa. Dados do Ministério da Cultura indicam que o contato precoce com linguagens artísticas aumenta significativamente a frequência cultural na vida adulta. E há um dado preocupante: muitos brasileiros chegam à vida adulta sem nunca terem entrado em um teatro. O FITICA tenta preencher essa lacuna, formando público desde cedo. Criança que aprende a aplaudir aprende também a respeitar o outro. Parece simples, mas é revolucionário.

A equipe define a primeira edição como um grande laboratório afetivo. Produzir o primeiro festival dedicado exclusivamente ao teatro na infância no Espírito Santo é desafio e celebração ao mesmo tempo. A construção é coletiva, com atenção aos detalhes e homenagem surpresa prevista na programação. O convite é direto: garantir ingressos, acompanhar as redes sociais e participar ativamente. Afinal, festival sem plateia é ensaio aberto. E ninguém quer estrear para cadeiras vazias. 

FITICA não é apenas um evento cultural. É um movimento. Ao unir educação, arte e sustentabilidade, reforça que infância não é fase de espera, mas território de potência. Se o futuro é das crianças, faz sentido que o presente também seja. E talvez a grande pergunta não seja se devemos investir em teatro infantil, mas como conseguimos viver tanto tempo sem fazer isso com a devida prioridade.

O teatro na escola não forma apenas atores; forma cidadãos. Ele ensina a respeitar regras, a valorizar a solidariedade e a expressar desejos e sentimentos. Em tempos de telas infinitas, o palco oferece o “encontro real”, de carne e osso. Como diz a sabedoria popular (e muitos comediantes por aí): a vida é um palco, mas ninguém te deu o roteiro. O teatro ensina a criança a improvisar com segurança, a falar com dicção e a olhar o outro com empatia. Que tal incentivarmos nossos pequenos a entrarem nesse mundo mágico? O futuro agradece — e a plateia aplaude de pé! 

O teatro e a contação ajudam na formação do caráter. Ao ver um personagem passando por um problema, a criança aprende sobre ética, cidadania e como lidar com as próprias transformações. É a “terapia” mais divertida que existe, ensinando a respeitar regras de convívio social enquanto eles acham que estão apenas se divertindo. Em resumo, levar as crianças ao teatro ou incentivar a encenação na escola é garantir que elas possam expressar desejos, sentimentos e aprender a respeitar o próximo. É onde a solidariedade e a cooperação deixam de ser palavras chatas no dicionário e viram ação no palco.

 

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Daniel Bones
Daniel Bones
Sou o "Severino do Audiovisual Capixaba", já atuei em diversas áreas como fotografia, edição, sou ator, compositor, produtor e diretor de filmes e TV. Gosto de contar histórias. Ponto Final. (...) Aqui, minha coluna é cultural, mas vive com uma dor postural. Eventos, Arte, Cultura, Cinema e Teatro são comigo aqui! Se quiser, siga essa doideira ai!

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