Coletivo de fotojornalismo documenta a cultura popular no Desfile das Escolas de Samba de Vitória – ES
As festas de fim de ano passaram, mas a esperança e a alegria continuam no Carnaval. No evento, nem todos os envolvidos são foliões; muitos são profissionais. Entre eles, há quem se dedique ao registro e à documentação dessa manifestação cultural. É o caso do Coletivo Rede de Memórias, que há mais de uma década atua na preservação da memória da cultura popular capixaba.

No Desfile das Escolas de Samba de Vitória (ES) deste novo ano, ele estará presente. Por trás da beleza e do glamour apresentados na “Avenida”, existe uma trajetória marcada por lutas, dificuldades e conquistas. Criado em 2011, o Coletivo Rede de Memórias consolidou-se como uma das principais iniciativas de documentação cultural no estado, reunindo fotografia, jornalismo, história oral e audiovisual.
Projetado pela fotojornalista, documentarista e professora universitária Zanete Dadalto, o Coletivo Rede de Memórias teve início na região da Ilha das Caieiras, em Vitória. Ampliou sua atuação, passando a pesquisar e registrar diversas manifestações culturais do Espírito Santo. Festas tradicionais, Congadas, Folias de Reis e o próprio Carnaval de Vitória tornaram-se pautas recorrentes do projeto.
“O eixo central do projeto é a valorização da memória dos protagonistas, pessoas e comunidades que mantêm vivas essas expressões culturais”, afirma Zanete Dadalto, no release do Coletivo.

Foto: José Augusto Tovar

Foto: Zanete Dadalto
Atualmente, o acervo das manifestações culturais capixabas ultrapassa 100 mil fotografias e um volume elevado de vídeos e entrevistas. O Desfile das Escolas de Samba de Vitória é acompanhado pelo Coletivo desde a sua fundação, em 2011 e há registros com foliões, organizadores e trabalhadores diretos e indiretos do evento.
As imagens não se restringem ao espetáculo apresentado na “Avenida”. Elas revelam bastidores, preparativos e emoções que marcam a trajetória das Escolas de Samba e de seus integrantes. O trabalho vai além do registro estético e constrói uma documentação histórica contínua sobre o Carnaval — a maior festa popular do país — em sua expressão no solo capixaba.



A relevância do Rede de Memórias para a memória cultural do Espírito Santo reside justamente na constituição desse acervo visual de grande escala. O Coletivo preserva rostos, gestos, rituais, técnicas e narrativas que, muitas vezes, não são observadas pelo público. Esse material permite compreender o Carnaval Capixaba não apenas como espetáculo, mas como manifestação social, identitária e coletiva.
O olhar do Coletivo Rede de Memórias destaca também aqueles que constroem o Carnaval longe dos holofotes. Costureiras, aderecistas, ferreiros, carpinteiros, compositores, ritmistas, passistas, empurradores de carros alegóricos, equipes de apoio e moradores das comunidades são personagens centrais da festa, mas raramente têm visibilidade na mídia oficial.


Ao documentar esses trabalhadores e desfilantes anônimos, o Rede de Memórias amplia a compreensão do Carnaval como resultado de um esforço coletivo, sustentado por saberes populares transmitidos de geração em geração. O acervo contribui para reconhecer essas trajetórias como parte do patrimônio cultural capixaba, além de servir como fonte de pesquisa para estudiosos, educadores e agentes culturais.
O Desfile das Escolas de Samba de Vitória teve início na década de 1950 e firmou-se como espaço de resistência cultural e afirmação da identidade popular. Atualmente, o evento é dividido entre o Grupo Especial, com dez escolas de samba, e a Série Ouro (Grupo de Acesso), com nove agremiações. A festa mobiliza comunidades de toda a Grande Vitória e milhares de profissionais ligados direta e indiretamente ao samba.




Em fevereiro de 2026, o Sambão do Povo, às margens do Canal da Ilha, volta a ser palco desse encontro entre tradição, criatividade e trabalho coletivo. Presente na avenida, o Rede de Memórias reafirma seu papel de observador atento e participante da história viva do Desfile das Escolas de Samba, registrando desafios, conquistas e a força da cultura que pulsa no coração do povo capixaba.








Tony, fiquei encantada com o material enviado, vou ler com vagar. mas de antemão quero lhe parabenizar por trabalho tão importante para nossa Cultura Popular.
Grande abraço
Dione
Olá, que bom saber que temos um acervo tão grande da nossa cultura carnavalesca, afinal, o Carnaval do Brasil começa aqui.
Parabéns ao Tony pela matéria.
É indiscutível o impacto dessa manifestação cultural, cujo alcance vai além dos amantes do Carnaval. Até mesmo àqueles, aparentemente alheio ao Carnaval, se vê obrigado a reconhecer a sua grandeza.
Interessante sua observação sobre a pluralidade de mãos que dão tudo de si pelo amor à sua agremiação.
Me sinto honrado de ver um familiar, que mantém viva a chama, se afasta da quadra e avenida, mas faz questão de continuar com sua presença marcante , agora, registrando para as gerações futuras uma festa que não merece ser esquecida. Parabéns primo, a demonstração é suas palavras, nos permite prever, o que estar por vir.
parabéns