“A arte de rimar e fazer trocadilhos como forma de exercício cerebral”
Já parou para pensar por que aquela rima chiclete do Carnaval não sai da sua cabeça, ou por que aquele trocadilho infame do seu tio no almoço de domingo — o clássico “é pavê ou pacumê?” — desperta tanto sentimento (mesmo que seja o de querer sumir)? E quem aqui até hoje não é um eterno “Quinta Série”?
Escrever não é apenas amontoar palavras como quem empilha tijolo em obra de encosta. É engenharia, é arte e, acima de tudo, é uma ferramenta de sobrevivência social. Talvez a única certeza que nos resta é que a rima é o trilho por onde o pensamento corre sem descarrilar.
Socialmente, a rima não é apenas um enfeite poético; ela é um marcador de território. Em comunidades onde a escrita formal muitas vezes fechou as portas, a rima abriu janelas. No Rap e nos Slams (aquelas batalhas de poesia que fervem nos centros urbanos), a rima é o que separa o “conhecedor” do “curioso”. É uma verdadeira meritocracia linguística: quem domina a métrica ganha o respeito.
Historicamente, antes do Google e as IA´s serem nossos “HDs” e “Bancos de Dados”, a rima era o backup oficial da humanidade. Se algo rimava, a lição não se perdia na poeira da estrada. É a nossa memória coletiva em versos. Além disso, ela funciona como um “lubrificante” para verdades ácidas (para entender essa, volte na coluna anterior). É muito mais fácil digerir uma crítica social pesada quando ela vem embalada em um ritmo envolvente do que ler um relatório técnico de 50 páginas que tem o carisma de uma bula de remédio, ainda por cima em grego.
Escrever rimando é um desafio de mestre, poucos conseguem, mas, para alguns é algo natural. É como tentar montar um móvel, mas sem o manual e percebendo que o parafuso que sobrou é justamente o que sustenta a prateleira inteira. Rimar mexe com o seu cérebro, como se você forçasse ele a ser criativo.
Quando você se obriga a rimar, você cria um obstáculo. E na escrita, obstáculos são combustíveis. Se você precisa de uma palavra que termine em “oz”, seu cérebro descarta até as vezes pensa no óbvio, mas, às vezes também ele começa a “cavoucar” o dicionário mental em busca de “veloz” ou “atroz” (ou palavras que não existem, mas, você acha que sim para caber na rima). Isso expande seu vocabulário e melhora sua consciência em dizer e aprender palavras. Você passa a ouvir o texto, garantindo que o som agradável esteja presente em tudo que você faz.
Muita gente torce o nariz para os trocadilhos, chamando-os de “humor de tiozão”. Mas a ciência diz o contrário. Hahaha sim, tem ciência por trás dos infames trocadilhos!
Podem ficar tranquilos, que aqui eu não vou falar do Mário, e, nem da Inês. 😀
Se você não riu agora, parabéns! Você finalmente cresceu! Tadinho do Silvio Santos, falou do bambu!
O trocadilho é o “fast food” do inconsciente. Uns dizem que é a forma mais baixa de humor (alô, piada do pavê!), outros, como Machado de Assis, acham o máximo.
Parece que aos 12 anos, o brasileiro) atinge o ápice da criatividade com trocadilhos. No Brasil, o trocadilho é como vinho: quanto mais velho, melhor (ou mais “de carvalho”… opa!).
Mas aí vai a parte da ciência: O cérebro processa trocadilhos utilizando áreas distintas para lidar com a ambiguidade da linguagem e aí ele busca informações na memória, gerando benefícios cognitivos. Os Trocadilhos funcionam como “pequenos choques” no processamento da linguagem, forçando o cérebro a resolver uma ambiguidade. O hemisfério esquerdo (lógico/linguístico) processa o significado literal da frase, enquanto o hemisfério direito (intuitivo/criativo) tenta processar o significado alternativo ou ambíguo. Aí quando o cérebro entende o trocadilho, há uma ativação do córtex pré-frontal ventral medial, área associada à recompensa e ao prazer, ativando circuitos de humor e liberando dopamina. Ou seja, aquele “Ah entendi”, destrava todos os problemas e te dá uma sensação de alívio! Então, os trocadilhos ativam áreas responsáveis pela produção da fala e o processamento semântico, onde o cérebro substitui o sentido óbvio por um implícito.
Sigmund Freud, o pai da psicanálise, chamava isso de Chiste (ou Witz). Para ele, o humor é uma válvula de escape para o nosso inconsciente dar uma voltinha sem ser preso pelo Superego (o nosso “guarda” interno). Quando fazemos um trocadilho, economizamos energia na repressão e liberamos essa sobra através da risada.
Oswald de Andrade, gênio do nosso modernismo, fez o maior trocadilho da história do Brasil: “Tupi, or not tupi, that is the question”. Ele pegou a frase mais famosa de Shakespeare (Hamlet) e a transformou em um manifesto sobre a nossa identidade: devemos assumir nossas raízes indígenas ou ser apenas uma cópia da Europa? Isso é a “antropofagia” cultural (pegou algo de fora para criar algo genuinamente nosso).
Não podemos esquecer da nossa Literatura de Cordel. Aqueles folhetos pendurados em barbantes no Nordeste são verdadeiros jornais falados. Com rima, métrica e oração, o cordelista educa, critica e diverte. É a prova de que a rima é pedagógica. Para as crianças, a rima é a porta de entrada para a alfabetização. Entender que as letras possuem sons e que esses sons se repetem torna o aprendizado leve. É como brincar de “adoleta” (le pe ti leti colá, le café com chocola) através da música e da sonoridade, o mundo das letras deixa de ser um bicho de sete cabeças e vira um parque de diversões.
Seja você um estudante, um criativo ou alguém que só quer mandar bem no grupo de WhatsApp, não tema a regra nem o som que se repete. A rima e o trocadilho são as gazuas que usamos para abrir as fechaduras da nossa própria expressão.
Então, vou reunir a seguir um texto que escrevi durante um tempo, que fala sobre os Ditados populares e o que cada um representa.
A vida é uma feira de ditados, todo mundo vendendo sabedoria no atacado, uns parcelam em sofrimento, outros, pagam em boleto atrasado. Porque a verdade é dar “a César o que é de César, a Deus o que é de Deus”, mas o boleto sempre acha que é tudo dele, meu Deus… Já “água mole em pedra dura” vai batendo sem dó, igual cobrança de banco no zap às oito da manhã, só pó.
A cobrança vem de pressa, mas, como se “a pressa é inimiga da perfeição”?, o que causa, mas a fome é amiga da marmita fria no balcão, e “à noite todos os gatos são pardos”, é verdade geral, principalmente no baile com luz piscando mal.
“Antes só do que mal acompanhado”, dizia minha avó, depois casou de novo… e provou o próprio nó. (Com essa tomara que minha família não se chateie, foi só para rimar, não me odeie!) Porque “as aparências enganam”, meu irmão, filtro de Instagram não mostra prestação nem pressão. Nossas vós não liam filosofia, mas davam aulas de existir, com café ralo, pão duro e verdades difíceis de engolir. “É dando que se recebe”, ela dizia sorrindo, emprestou açúcar pra vizinha e ganhou fofoca de brinde vindo. Ajudar é lindo, mas aprende-se cedo: bondade às vezes volta em forma de enredo.
Porque a vida é um livro de provérbios mal encadernado, cada tombo vem com legenda em letras de aprendizado. Mesmo que a essa rede social seja do povo, e, “A voz do povo é a voz de Deus”, como dizem por aí, mas no grupo da família Deus já saiu faz tempo dali. “Cada macaco no seu galho”, cada louco no seu drama, mas sempre tem um que cai e ainda culpa a banana. “Quem sai aos seus não degenera”, herança é coisa séria, se a família é bagunçada, a terapia vira matéria (ou coluna). E “nem tudo que reluz é ouro”, já dizia o coração, às vezes é só bijuteria emocional em promoção. “Caiu na rede é peixe”, mas às vezes é só problema, “casa de ferreiro, espeto de pau” é o drama do sistema: o psicólogo surtado, o mecânico sem carro, o coach quebrado dando aula de como ser rico no barro. Barro é bom no filtro, líquido filtrado, lavado.
“A cavalo dado não se olha os dentes”, aceita e agradece, mesmo que o cavalo manque e coma fiado todo mês. “De grão em grão a galinha enche o papo”, devagar se constrói, igual juntar centavo enquanto o aluguel destrói. “De médico e de louco todo mundo tem um pouco”, é real, basta abrir os comentários de qualquer post normal.
Sei que o futuro pode ser diferente, mas, no momento tenho que pensar no presente, pois o passado passou e tudo que eu fiz já mudou. O que eu faço agora muda e molda o futuro que está logo ali, “reação em cadeia” pode existir, “Efeito Dominó” ou “Efeito Borboleta”, a vida pode dar um nó e você se envolve em tretas, problemas ou discussões, mas, tudo vai depender das plenas situações.
No “Campo Minado” chamado Vida você pode andar tendo coragem e começar a caminhar, encarar essa vida, mas não só no olhar. Seguindo em frente, não posso parar. “Batalha Naval”, às vezes na água atirar, “Tiro no Escuro”, é bom arriscar, se você perdeu uma chance, outra você poderá encontrar. “Beco sem Saída”, no plano de Deus não há, ele é aquela “Luz no Fim do Túnel”, é somente você caminhar.
“Água mole pedra dura, tanto bate até que fura”, saia dessa rua escura, olhe para o céu, pois o que ilumina é a Lua. “Nem tudo que reluz é ouro”, mas focando na luz você pode ganhar um grande tesouro.
“Quem tem boca vai a Roma”, passa a mensagem e ainda sente o aroma suave de um perfume italiano, e se quiser ainda visitar o Vaticano, aprenda e conheça gente nova, pois, “a União faz a Força”, e, essa será sua prova. Uma apresentação, para um grande batalhão. “É melhor prevenir do que remediar”, mas, não esqueça de que “se cair do chão não irá passar”!
Pense rápido, fale devagar. Todos têm que entender a mensagem que você vai passar. “De grão em grão, a galinha enche o papo”, de mensagem a mensagem você cria um fato. “Quem espera sempre alcança”. “Depois da tormenta, sempre vem a bonança”. “Cada cabeça, uma sentença” para toda a mente que pensa numa vida mais extensa.
Pense somente em conseguir, tenha fé, você deve prosseguir, siga em frente e tente não fazer o errado, pois, sabe como é: “Cabeça vazia é Oficina do Diabo”, vida em harmonia, o corpo pra mente manda o recado, de como agir, na “Fração de Segundos” você vai reagir. Não fique com medo, “Amanhã é um novo Dia”, esqueça-se de sua covardia, pois, “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, não leve um susto quando chamarem seu nome, pois, é sua vez, “Levante a Cabeça” e não diga talvez, tenha certeza, chega de tristeza. “Ele não Machuca, é só não mostrar medo”, de cara limpa você muda o enredo.
No fim das contas, ditado é spoiler da vida, avisa o erro antes da queda… mas a gente cai mesmo assim, sem medida. Porque ser humano é teimoso por vocação: ouve conselho rimado, bonito, ancestral, duplos sentidos, trocadilhos… e vai lá quebrar a cara só pra confirmar a lição. Se sabedoria evitasse tombo, ninguém teria história boa pra contar. Mas sem tropeço não tem riso, nem verso, nem vida pra rimar. E no fim, meu caro leitor, preste bem atenção: “diz-me com quem andas e eu te direi quem és”… eu ando cansado, ando sonhando, ando sobrevivendo nesse mundo parcelado em emoção. Trocadilhos e ditados são mapas, mas a vida é ladeira. Ninguém aprende mesmo sem antes escorregar e doer. Porque sabedoria popular é tipo Wi-Fi de bar: todo mundo conhece a senha, mas vive caindo no meio do download da vida real.
Em resumo, na coluna de hoje, a linguagem saiu do dicionário e foi direto para a vida real. Entre rimas, trocadilhos e gargalhadas de quinta série, o que devemos lembrar é que escrever bem é, antes de tudo, saber brincar com os sons e os sentidos das palavras. A rima aparece como fio condutor do pensamento, dando ritmo às ideias e força à mensagem, seja na poesia popular, seja na alfabetização das crianças, onde música, cantigas e versos transformam aprendizado em prazer. Passeamos pelos ditados populares, esse manual informal da experiência humana, mostrando como frases curtas carregam séculos de sabedoria em poucas sílabas. Mas o grande charme está mesmo nos trocadilhos, frequentemente tratados como humor bobo, quando na verdade exigem agilidade mental, interpretação rápida e uma boa dose de criatividade.
As famosas piadas de quinta série entram em cena como parte natural do desenvolvimento humano, especialmente na adolescência, quando o cérebro descobre o prazer da ambiguidade e do duplo sentido. E não é só zoeira: estudos e até Freud explicam que o humor nasce do inconsciente, quebra regras e libera tensões emocionais. Rir, além de socializar, cura um pouco da alma e ajuda o corpo a reagir melhor às dores da vida. O humor é ferramenta poderosa, mas também delicada. Pode libertar, aproximar e criticar, mas, se mal-usado, vira arma que machuca.
Ser sério o tempo todo não é sinal de inteligência. Às vezes, é só falta de ritmo no pensamento e de leveza no coração.








Parabéns pelo texto, que vai fechando elos e no final, que final??? será uma corrente de saberes e oportunidades. Siga em frente, pois a trás vem gente.