O Espírito Santo atravessa uma nova onda de transformação econômica. A anterior ocorreu entre as décadas de 1960 e 1970, com maior intensidade até 1977, marcada pela implantação de grandes complexos de celulose, siderurgia e infraestrutura portuária em um raio aproximado de 100 km da capital, Vitória. Esse ciclo promoveu desenvolvimento, geração de empregos e renda, deixando um legado duradouro de oportunidades para os capixabas.
Naquele período, a demanda por mão de obra superou a capacidade local, tanto em quantidade quanto em qualificação. Isso atraiu trabalhadores de Minas Gerais, do Nordeste, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de diversas outras regiões do país, todos em busca de um novo horizonte econômico que se abriria no Estado.
Uma nova onda de prosperidade
Há um entendimento disseminado entre a população capixaba de que uma nova fase de prosperidade começou na virada do século XXI, impulsionada por mudanças profundas na gestão pública. Foi necessário equilibrar as contas do Estado, planejar o futuro e transformar planejamento em ação concreta. Até então, o Espírito Santo carecia de mecanismos modernos de atratividade econômica.
A partir desse esforço estruturante, passaram a ser priorizados investimentos em infraestrutura, atualização do arcabouço legal, fortalecimento institucional e expansão da educação e da saúde pública. Destacam-se a interiorização da UFES e do IFES, a criação e consolidação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), a melhoria de parques tecnológicos em cidades-polo do interior e a adoção de políticas de fomento à inovação, à tecnologia e ao empreendedorismo.
Adensamento produtivo e novas fronteiras
Historicamente, a preferência pelo adensamento de novos empreendimentos — como berços portuários, galpões logísticos, condomínio de residenciais, mais hotéis de negócios, e duplicação de rodovias — concentrou-se agora no raio de até 120 km da capital. No entanto, esse cenário vem mudando de forma acelerada nos últimos cinco anos.
Grandes empresas nacionais e internacionais passaram a enxergar oportunidades fora desse eixo tradicional, especialmente no litoral norte capixaba. Nesse território, observa-se a instalação e expansão de atividades nos setores industrial, de alimentos e bebidas, químico, metalmecânico, aviação, automobilístico, petróleo e gás, moveleiro e logística integrada.
O desafio e o potencial do litoral sul
O litoral sul do Espírito Santo apresenta um contexto distinto. Apesar de não contar, historicamente, com incentivos fiscais tão amplos quanto outras regiões, há um esforço expressivo da iniciativa privada para destravar projetos estruturantes. Entre eles, destacam-se a reativação de plantas de exportação de minérios em Anchieta, a implantação do Porto Central — um complexo industrial-portuário com memorandos de entendimento firmados com empresas nacionais e internacionais — e projetos de infraestrutura logística e energética.
Merecem atenção, a consolidação do parque de beneficiamento de pedras ornamentais, ampliação de um aeroporto regional, a Ferrovia EF-352, projetada para partir de Presidente Kennedy (ES) em direção a Minas Gerais e ao Cerrado brasileiro; a GERA ES, usina termelétrica a gás natural com capacidade estimada de 1.170 MW; a UTE Sudeste; projetos de usinas de açúcar e álcool; criação de polos industriais ao longo da BR101 – Sul, empreendimentos de geração de energia solar; além de empresas fornecedoras da cadeia de petróleo e gás. Ainda que o número de iniciativas seja menor em comparação a outras regiões, seu potencial estruturante é significativo.
Políticas públicas e incentivos desde 2010
A partir de 2010, o Espírito Santo passou a adotar instrumentos mais modernos de atração de investimentos. Destacam-se programas como o COMPETE-ES (instituído em 2013), que concede incentivos fiscais vinculados à geração de empregos e investimentos produtivos; o fortalecimento do Invest-ES, agência estadual de promoção de investimentos; a consolidação das ZPEs; e políticas de financiamento via BANDES e fundos de desenvolvimento regionais.
No extremo sul, iniciativas como o Fundesul Presidente Kennedy cumprem papel estratégico ao posicionar a região como uma nova fronteira logística, energética e industrial no centro do litoral brasileiro. Esses instrumentos vêm preparando o território para receber grandes empreendimentos e ampliar sua inserção nas cadeias produtivas nacionais e internacionais.
Caminhos para o futuro
Ao observar o volume de projetos em andamento e o potencial ainda inexplorado do extremo sul capixaba, torna-se evidente que a região pode seguir trajetória semelhante à do litoral norte, com oportunidades nos setores industrial, de alimentos e bebidas, metalmecânico, petróleo e gás, reciclagem industrial e logística.
Para que esse cenário se concretize, será indispensável a adoção de ações coordenadas e objetivas, lideradas por gestores públicos e privados comprometidos com o presente e o futuro. A atual onda de prosperidade capixaba precisa deixar de ser apenas uma intenção e se transformar em estratégia clara: apresentar o litoral sul, localizado em posição central no litoral brasileiro, como uma fronteira logística, energética e industrial competitiva.
Embora a carteira de investimentos públicos e privados esteja formalmente aberta a todo o Estado, a sociedade capixaba acompanha com atenção os próximos passos do desenvolvimento no litoral sul.





