Vou me apresentar, beleza? Sou Fabrício, nasci em Ecoporanga, extremo norte do ES e trago comigo um caráter moldado na transparência, na verdade e no calorão da minha terra!
Saindo da casa de meus pais, cheguei a Vitória com as poucas peças do meu guarda roupa em março de 2005, com apenas 17 anos.
Naquela época, ainda sem as políticas públicas para facilitar o acesso a universidade federal, me joguei de cabeça nas aulas do PUPT (Projeto Universidade para Todos), cursinho público onde tive 10 meses para aprender tudo que o que não havia aprendido no colégio estadual João XXIII de Barra de São Francisco, onde fiz o meu ensino médio.
Desafiando a todos os desafios, passei! Tive suporte de alguns familiares, especialmente da minha irmã, que já havia feito o mesmo trajeto, só que 4 anos antes!
Fui para a Geografia e lá, sempre atento às questões relativas à geografia dos alimentos e à geografia urbana e ambiental, moldei o meu foco e interesse científico!
Na graduação, pós e mestrado, não faltaram trabalhos sobre Vitória e sobre a cidade que cresci, Barra de São Francisco!
Atuei em diversos planos diretores, estudos e diagnósticos ambientais, planos de saneamento, mapeamentos em geral.
Fazer mapas era de um vazio imenso e, infelizmente, meu conhecimento científico era frequentemente diminuído por colegas engenheiros e arquitetos.
Por 4 anos estive na SESP/ES. Onde atuei na gerência de estatística e análise criminal por mais de 4 anos.
Após anos vivenciando situações de assédio moral, estava exausto e não suportava estar em um ambiente onde falas homofóbicas e ofensivas eram rotineiras. Então sai!
Sim, sempre segui a frase “Onde não puderes amar, não te demores”, então fui!
Meus últimos projetos como Geógrafo, já mestre, foram como bolsista (uma forma bonita que o governo estadual tem de se referir à profissionais formados, mestres e doutores que são sucateados e desvalorizados, ao invés de registrados ou contratados através de concurso público).
Apesar da bolsa nua e crua de 2mil reais, sem vale-transporte, férias, 13° ou quaisquer direitos trabalhistas, trabalhei em dois projetos incríveis, ao lado de profissionais muito qualificados: projeto reflorestar e plano de bacias litoral Centro Norte.
Não penso que sai da geografia, eu sai da arte, da gastronomia, da música e da poesia que pulsam em mim!
Apenas fui ganhar repertório na geografia! Ciência múltipla que, na fala atribuída ao falecido Geógrafo Jean Louis Boudou é “um oceano de um palmo”, ou seja, vasta! Mas, sem profundidade.
A geografia te oferece bases para se aprofundar e se especializar onde quiser!
Foi assim que voltei para a arte!
Em 2019 veio a Oca, projeto iniciado com o Caio Cruz, que acumula alguns títulos de ex!
Caio, artista plástico auto didata e músico, teve influência nesse encontro com a minha verve!
Ajudou-me a fazer essa volta à minha essência, reencontrando aquele moço lúdico, criativo e intenso que estava adormecido por detrás dos tediosos mapas e relatórios técnicos.
A gastronomia que levei à Oca, abriu espaço para o canto, para a poesia, para o jardim e para os cuidados com a decoração da Oca, que é casa para mim!
Os atos de serviço e toque físico, linguagens do amor que mais uso, também foram muito bem empregadas nesse espaço pulsante chamado A Oca!
Assim, transparente, complexo e múltiplo estou há 6 anos e meio à frente da Oca!
Lugar que não só me fez crescer como profissional e entidade humana, mas que impactou significativamente na perspectiva e olhares externos para o Centro da Cidade. Bairro que defendo e luto ha anos!
A Oca, como lugar de acolhida, é fruto de um trabalho que trago no reflexo da maturidade, aprofundamento acadêmico e vontade de ser parte de um novimento que é maior do que eu!
Como dizia minha amada amiga, Jeanne Bilich, sou um bruxo, poeta e Geógrafo, intenso e em evolução!







