Para muitos brasileiros, o café vai além de um simples estimulante matinal: é um hábito essencial. A primeira xícara costuma despertar os sentidos e preparar o corpo para as demandas do dia. Mas, além do impulso de energia, quais são os efeitos reais desse consumo diário sobre a nossa saúde?
O cardiologista e comunicador científico José Abellán ressalta que o café tem uma composição complexa, que não se limita à cafeína. “Ele contém ácidos clorogênicos, uma classe de antioxidantes com múltiplos benefícios”, explica o especialista.
Longevidade e qualidade de vida
Segundo Abellán, pesquisas recentes trazem boas notícias para quem aprecia a bebida. “Estudos atuais mostram que o consumo regular está associado a uma maior expectativa de vida e a um risco menor de doenças cardiovasculares”, relata.
O médico cita uma extensa metanálise, com cerca de 1,3 milhão de participantes, que revelou um dado importante: pessoas que consomem de uma a cinco xícaras por dia podem ter uma redução de até 11% no risco de complicações cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.
A importância do método de preparo
No entanto, o impacto do café na saúde cardiovascular varia conforme a forma de preparo. O médico faz uma advertência crucial, indicando o café filtrado como a opção mais favorável a longo prazo.
“A filtragem remove componentes como o cafestol e o kahweol. Essas substâncias, presentes no café não filtrado, estão ligadas a um leve aumento nos níveis de colesterol LDL, o chamado colesterol ruim”, esclarece o cardiologista.
Conclusão do especialista
Apesar das evidências favoráveis, Abellán mantém uma postura cautelosa: a bebida não deve ser vista como remédio. “As descobertas atuais não são suficientes para que um médico receite café com fins preventivos. No entanto, os dados mostram claramente que ele pode ser um excelente complemento dentro de um estilo de vida saudável”, finaliza.







