Em meio a municípios que realizam limpezas e famílias desalojadas, o governo federal ampliou seu apoio neste sábado. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma visita às áreas afetadas pelas chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais. Em Juiz de Fora, foi anunciada a criação de um gabinete de crise interministerial para coordenar as ações de emergência enquanto as condições climáticas não se normalizam na região.
A comitiva presidencial percorreu as áreas mais atingidas, visitou o centro de acolhimento temporário para desabrigados em Juiz de Fora e se reuniu com gestores municipais de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa. O presidente Lula garantiu que a União repetirá o apoio dado durante a tragédia no Rio Grande do Sul. Ele afirmou que ajudará os prefeitos na reconstrução das cidades, oferecerá crédito para pequenos negócios se recuperarem, reparará os danos nas áreas de saúde e educação e, principalmente, garantirá moradia para quem a perdeu.
O ministro Waldez Góes reafirmou que não faltarão verbas ou suporte para as prefeituras e a população mineira. Ele listou itens essenciais como água, alimentos, produtos de higiene, combustível e serviços de limpeza pública, além da desobstrução de vias e restauração de serviços. O ministro declarou que o foco está na Zona da Mata e que a população pode contar com o apoio federal.
No mesmo dia, o Governo Federal aprovou três novos planos de trabalho para atividades de defesa civil. Um montante adicional de R$ 4.831.500,00 foi destinado ao município de Ubá. A portaria oficial será publicada no Diário Oficial da União na próxima segunda-feira. Até o momento, onze planos de trabalho já receberam aval, totalizando R$ 16.143.898,81 em recursos repassados às cidades atingidas.
Confira os valores aprovados para Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá:
Juiz de Fora
- R$ 2.108.500,00
- R$ 835.562,40
Matias Barbosa
- R$ 1.057.100,00
- R$ 245.967,56
Ubá
- R$ 482.425,00
- R$ 752.842,40
- R$ 1.907.968,44
- R$ 3.922.033,01
- R$ 2.422.500,00
- R$ 1.708.200,00
- R$ 700.800,00
Cinco municípios têm atualmente reconhecimento federal: três (Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá) em estado de calamidade pública e dois (Divinésia e Senador Firmino) em situação de emergência. Equipes da Defesa Civil Nacional estão na região desde o início do desastre para fornecer suporte técnico, auxiliar as prefeituras e agilizar os trâmites.
Em gesto de solidariedade, o presidente Lula pediu um minuto de silêncio pelas vítimas fatais das chuvas na Zona da Mata mineira. As defesas civis locais confirmaram 70 óbitos até o momento, além de cinco pessoas desaparecidas.
Sistema federal atuante
À tarde, a Defesa Civil Nacional realizou uma reunião com os órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para detalhar e alinhar as medidas de resposta ao desastre em Minas Gerais e em outros estados. O encontro também serviu para atualizar as previsões meteorológicas.
Estiveram presentes representantes da Casa Civil, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), e dos ministérios da Saúde, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da Defesa, dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Igualdade Racial, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, além de integrantes da Polícia Rodoviária Federal.
O panorama geral indica melhora nas condições climáticas nas áreas mais castigadas nos últimos dias. No entanto, segundo o Inmet, ainda há previsão de chuva para o fim de semana em regiões do norte de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Pará e nos estados do Nordeste, conforme dois avisos vermelhos de grande perigo emitidos pelo órgão. A precipitação pode ultrapassar 100 milímetros em 24 horas, com risco de novos alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.
Números atualizados
Juiz de Fora
- 64 mortes
- Três pessoas desaparecidas
- 6.447 pessoas desalojadas
- 2.137 pessoas desabrigadas
Ubá
- Seis mortes
- Duas pessoas desaparecidas
- 728 pessoas desalojadas
- 26 pessoas desabrigadas
Matias Barbosa
- 810 pessoas desalojadas
- 40 pessoas desabrigadas
- Não há registro de mortes nem de desaparecidos
Recursos federais
Para acessar verbas federais destinadas à reconstrução e assistência humanitária, estados e municípios precisam obter reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública. Em seguida, devem apresentar, por meio do S2iD – Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, planos de trabalho com metas claras. O passo a passo para a solicitação está detalhado no portal do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, que também oferece orientações práticas sobre o uso do S2iD para agilizar a liberação de recursos, desde o registro do desastre até a transferência dos valores.
Defesa Civil Alerta
O sistema Defesa Civil Alerta, implementado nacionalmente pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, pode ser utilizado pelos estados para ampliar a proteção da população. A ferramenta usa a rede de telefonia celular para enviar mensagens de texto e avisos sonoros a aparelhos em áreas de alto risco. Os alertas aparecem de forma destacada na tela e podem soar mesmo com o celular no modo silencioso. Não é necessário cadastro, o serviço é gratuito e atinge celulares compatíveis com cobertura 4G ou 5G, independentemente de pacote de dados ou conexão Wi-Fi.
A iniciativa busca orientar as pessoas sobre medidas de proteção. Os alertas conterão informações sobre o tipo de risco iminente e instruções práticas. A definição do conteúdo e do momento do envio é responsabilidade dos órgãos locais de defesa civil, sendo a ação operacionalizada pela Interface de Divulgação de Alertas Públicos.
O objetivo do Defesa Civil Alerta é aumentar a segurança, funcionando como um complemento a outros mecanismos de alerta de emergência, como SMS, TV por assinatura, WhatsApp, Telegram e Google Public Alerts.







