Especialistas das Nações Unidas exigiram justiça e reparação integral para todas as vítimas do racismo sistêmico, da discriminação estrutural e da violência no Brasil. O apelo coincide com o início iminente do julgamento, no Supremo Tribunal Federal, dos acusados de mandar matar a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 2018.
Em declaração conjunta divulgada nesta segunda-feira (23/02), em Genebra, os especialistas afirmaram que, ao se chegar a esta fase tão aguardada do processo, é fundamental preservar a imparcialidade e a clareza, garantindo que a justiça seja plenamente alcançada.
“Este julgamento simboliza não apenas a conclusão da luta por justiça por Marielle Franco e Anderson Gomes, mas também um momento decisivo no combate à impunidade estrutural do racismo, da discriminação interseccional e da violência contra defensores de direitos humanos, mulheres, pessoas negras e integrantes da comunidade LGBTIQ+ no país.”
Os crimes brutais que tiraram a vida de Marielle Franco e Anderson Gomes em 2018 causaram profunda comoção no Brasil e no exterior. Marielle era uma ativista de direitos humanos que denunciava publicamente o racismo sistêmico, a discriminação enraizada e a brutalidade policial no país. Ela enfrentava uma discriminação interseccional, que combinava racismo, classismo, misoginia e preconceito por sua orientação sexual.
Caminho árduo até o julgamento
Apesar do impacto chocante dos homicídios, a trajetória em busca de responsabilização tem sido longa e difícil para as famílias. A condução das investigações mudou várias vezes e houve vazamentos de informações para a imprensa.
“O simples fato de ter sido necessário um período de oito anos para se chegar a esta etapa final do processo judicial é, em si, algo estarrecedor”, destacaram os especialistas.
Em 2024, os especialistas reconheceram a condenação de alguns dos executores diretos dos assassinatos, mas ressaltaram, na ocasião, que aquelas decisões não representavam o fim da luta por justiça por Marielle Franco e Anderson Gomes.
“Para assegurar justiça integral, responsabilização efetiva e a não repetição de tais violências, é imprescindível que todos os envolvidos no planejamento e no encobrimento dos assassinatos sejam devidamente responsabilizados”, afirmaram.
Os especialistas já transmitiram formalmente suas preocupações ao Estado brasileiro.







