O Brasil vive um dos ciclos mais fortes de entrada de profissionais estrangeiros de sua história recente.
Em 2025, o país concedeu mais de 60 mil vistos de trabalho, um crescimento de 28% em relação ao ano anterior, que já havia registrado crescimento anual de 23% com mais de 47 mil autorizações.
Os dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) analisados pela Fragomen mostram que o movimento supera também o período pré-pandemia: a entrada de trabalhadores estrangeiros avançou mais de 80% na comparação com 2019.
Para Diana Quintas, sócia da Fragomen no Brasil, a estatística funciona como termômetro econômico: “onde há qualificação chegando, há investimento, tecnologia e expansão de cadeias produtivas”, explica.
Um levantamento realizado pela Fragomen mostra que a tendência é impulsionada por setores como energia, offshore, infraestrutura, TI e serviços intensivos em conhecimento, que demandam perfis altamente especializados, nem sempre disponíveis na velocidade necessária no mercado interno.
O cenário global também redesenhou rotas de mobilidade: os EUA ampliaram exigências consulares; países europeus endureceram regras de cidadania por descendência; e a UE implementa novos controles, como a autorização eletrônica ETIAS.
No Brasil, 2025 marcou avanços regulatórios ao ampliar atividades técnicas permitidas para entrada no país com visto de visita, em estadias curtas, uma modernização vista como essencial para destravar projetos, embora exija atenção jurídica para evitar interpretações divergentes.
Diana Quintas analisa os fatores que colocam o país em destaque na competição global por talentos.
“Com uma legislação migratória considerada moderna desde 2017 e instrumentos que contemplam trabalho, transferência de tecnologia, pesquisa e nômades digitais, o Brasil reúne condições para transformar a mobilidade internacional em vantagem competitiva. Para empresas, isso significa acelerar inovação e atrair talentos; para o país, ampliar produtividade e receber investimentos. Mais do que administrar fluxos, especialistas defendem que é hora de enxergar a migração como política de desenvolvimento. Os números crescentes do OBMigra mostram que o Brasil já entrou nesse mapa e o desafio agora é converter cada visto em impacto econômico e social de longo prazo”, explica Diana.






