Em fevereiro, milhares de jovens brasileiros participam da fase final antes de ingressar no Exército para o Serviço Militar Inicial: a Seleção Complementar. Este ano, o evento é histórico, pois pela primeira vez as mulheres estão incluídas no processo, marcando a entrada das primeiras soldados na Força Terrestre.
Nesta etapa, as candidatas, assim como os homens, passam por exames médicos e odontológicos, testes de aptidão e uma entrevista pessoal, seguindo os requisitos legais. Os aprovados começam o treinamento militar em março.
Em 2025, mais de 33.720 mulheres se alistaram em todo o país. Para a Seleção Complementar, foram convocados mais de 260 mil candidatos de ambos os sexos. Apenas em Brasília, 997 jovens mulheres foram chamadas, de um total nacional de 5.232.
No Distrito Federal, as 182 recrutas incorporadas ficarão inicialmente na Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Planalto a partir de 2 de março. Desse grupo, 23 serão designadas para servir como soldados no Hospital Militar de Área de Brasília.
Após a incorporação, quando o serviço se torna obrigatório, as novas integrantes enfrentarão os desafios do período de internato, das instruções rigorosas e de atividades que exigem preparo físico compatível com as funções de um soldado.
Conquista do espaço
Ana Clara Ferreira, de 18 anos e moradora de Taguatinga, é uma das candidatas. Ela expressa a honra de participar do pioneiro Serviço Militar Inicial Feminino. “É um sentimento de orgulho. No começo, havia certa ansiedade, mas para nós, mulheres, é uma alegria ter essa oportunidade. É gratificante integrar a primeira turma feminina concorrendo à função de soldado”, disse.
Eloah Veras também compartilha a expectativa de servir ao país. Ela conta que a influência do pai, Róbson Veras, ex-militar da Aeronáutica, a motivou a se voluntariar. “Crescer vendo meu pai de fardamento em casa impactou minha decisão de me alistar. Sei que haverá desafios, mas nada intransponível. Minha esperança é ingressar no Exército e encontrar meu lugar”, afirmou.
Valores
A Seleção Complementar introduz os jovens aos valores da instituição, como cidadania, disciplina e patriotismo, abrindo novas perspectivas para quem deseja servir à nação com dedicação e civismo.
As voluntárias do SMIF poderão ascender até ao posto de 3º Sargento, conforme seu desempenho e realização de cursos, permanecendo no serviço ativo por até oito anos, quando passarão para a reserva não remunerada. A entrada no Exército Brasileiro garante às mulheres os mesmos direitos, deveres e oportunidades que os homens.
O General de Divisão Felipe, Comandante Militar do Planalto, ressalta a trajetória da participação feminina na Força, desde Maria Quitéria em 1823 até as enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra. “A incorporação de mulheres para o Serviço Militar Inicial é mais um avanço nessa evolução, permitindo que as jovens prestem serviço como soldados, o que poderemos observar a partir de março”, declarou.
Inclusão
Inicialmente, o SMIF estará disponível apenas em organizações militares de cidades como Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, entre outras. O alistamento foi permitido apenas para voluntárias residentes nesses municípios.
O SMIF constitui a modalidade voluntária de ingresso de mulheres como soldados nas Forças Armadas. O alistamento ocorre no ano em que completam 18 anos, tal como para os homens. A maior participação feminina no processo reflete o fortalecimento de políticas institucionais de inclusão e valorização do potencial das mulheres para a Defesa Nacional.







