Abraçar o futuro: Fórum Empresarial Brasil-Índia fortalece expansão de negócios e inovação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do Fórum Empresarial Brasil-Índia de 2026. Durante o evento, o país firmou uma série de acordos com a nação asiática. O fórum reuniu representantes governamentais de ambos os lados, além de executivos e especialistas de áreas estratégicas, para discutir oportunidades e desafios.
“Encontros como este aceleram o progresso do país e o surgimento de novas tecnologias. Também atraem recursos financeiros que criam empregos e aumentam a renda da população. A distância geográfica entre Brasil e Índia é um pequeno obstáculo diante da força da nossa relação”, afirmou o presidente brasileiro.
Ele também manifestou a intenção de ampliar as trocas comerciais com os indianos:
O primeiro-ministro Modi e eu estabelecemos a meta de alcançar US$ 20 bilhões em comércio bilateral num curto espaço de tempo. Não será surpresa se, em 2030, ultrapassarmos essa marca e chegarmos a US$ 30 bilhões. Basta nos dedicarmos com empenho”, declarou.
A capacidade da indústria nacional em setores como aviação e aeroespacial foi outro tema abordado por Lula. “Não queremos apenas exportar. Aspiramos importar, investir e consolidar nossa presença na Índia, com partilha de know-how e capacitação profissional. Os contratos firmados pela Embraer com o Grupo Adani e a Mahindra permitirão a fabricação de aviões civis e militares em território indiano”, explicou.
Cooperação
Em seu discurso, no evento que aconteceu no último sábado (21), em Nova Délhi,na Índia, o presidente também destacou que as possibilidades são vastas em áreas de vanguarda, como TI, inteligência artificial, biotecnologia e atividades espaciais. “A Parceria Digital com a Índia é a primeira do gênero feita pelo Brasil. Ela promoverá a colaboração em inteligência artificial, supercomputação e startups de base tecnológica”, disse.
Sobre o acordo de Cooperação em Micro, Pequenas e Médias Empresas firmado no mesmo dia, Lula ressaltou que ele facilitará a troca de conhecimento num setor crucial para a geração de empregos.
“Vocês, empreendedores, terão papel fundamental para concretizar essas oportunidades. Citando a primeira-ministra Indira Gandhi em sua visita ao Brasil em 1968, o futuro não aparece sozinho — é preciso buscá-lo. Mãos à obra”, finalizou o presidente.
Medicamentos
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, firmou neste sábado três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo consideradas essenciais para a fabricação nacional de remédios contra o câncer no SUS. Os contratos representam um investimento previsto pela pasta de até R$ 722 milhões no primeiro ano, com potencial de chegar a R$ 10 bilhões em uma década. O objetivo é usar o poder de compra do Estado para disponibilizar aos usuários do SUS os fármacos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe. A formalização ocorreu durante o Fórum Empresarial Brasil–Índia.
A iniciativa integra a estratégia de revitalização do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, retomada pelo governo, que visa assegurar o fornecimento de medicamentos, fomentar a transferência de tecnologia e aumentar a autonomia produtiva do país. As PDPs abrangem três fármacos usados no combate a diversos tipos de câncer, incluindo os de mama, pele e leucemias.
Os acordos contam com a participação de laboratórios públicos brasileiros e parceiros privados nacionais e indianos, com o objetivo de internalizar a produção e avançar tecnologicamente. Ao fabricar localmente, o Ministério da Saúde pretende reduzir a dependência de importações de remédios estratégicos, garantir maior regularidade no abastecimento e ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade.
A produção do nivolumabe contará com a colaboração entre a Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma), como instituição pública, e a Bionovis S.A. (Companhia Brasileira de Biotecnologia Farmacêutica) e a Dr. Reddy’s Laboratories Ltda. (empresa farmacêutica indiana), como parceiras privadas.
A fabricação do pertuzumabe será realizada em conjunto com a Bahiafarma como ente público, e as companhias Bionovis S.A. e Biocon Biologics do Brasil Ltda., como entes privados.
Já a PDP para a produção do dasatinibe será executada em parceria entre a Fundação para o Remédio Popular (Furp), a Biocon Pharma Ltda. e a Nortec Química S.A.
Fiocruz
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também fortaleceu a agenda bilateral com a assinatura de dois Memorandos de Entendimento com empresas farmacêuticas indianas, expandindo a cooperação internacional em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de medicamentos estratégicos para o Brasil.
Um dos memorandos foi acertado com a Biocon Pharma, focando na transferência de tecnologia e produção de terapias para doenças raras, câncer e tratamentos imunossupressores. O outro, com a Lupin, estabelece desenvolvimento conjunto, fabricação local e fortalecimento de capacidades industriais e regulatórias direcionadas a remédios para doenças infecciosas negligenciadas, como tuberculose, malária, esquistossomose, hanseníase e doença de Chagas.
Continuidade
Além disso, o ministro Padilha participou da assinatura de um termo aditivo ao Memorando de Entendimento entre Brasil e Índia, que estende por mais cinco anos a cooperação bilateral em saúde. O acordo amplia ações conjuntas em áreas como fabricação de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, biofabricação, inovação produtiva, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial.
A cooperação também inclui intercâmbio técnico em áreas estratégicas, como oncologia, diabetes, doenças cardiovasculares e prevenção de doenças crônicas, contribuindo para o reforço das políticas públicas de saúde.
Apex
O Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026 foi promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A missão presidencial também marcou a abertura do primeiro escritório da ApexBrasil na capital indiana, pelo presidente da Agência, Jorge Viana, consolidando a expansão internacional da entidade. Atualmente, a Agência mantém escritórios em Bogotá (Colômbia), Miami (EUA), São Francisco (EUA), Nova York (EUA), Bruxelas (Bélgica), Lisboa (Portugal), Moscou (Rússia), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Pequim (China) e Xangai (China). O espaço em Nova Délhi será a 11ª representação internacional da Agência, somando-se às que já existem na África do Sul, Nigéria, Singapura, Shenzhen (China) e Washington-DC (EUA).






