O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, que sua visita ao Panamá reforçou sua convicção de que a América Latina e o Caribe podem desenvolver uma iniciativa independente para atuar no cenário global. Segundo ele, unidos, esses países têm condições de fomentar uma nova era de prosperidade para os 660 milhões de habitantes da região.
O mandatário brasileiro lembrou que este foi o sexto encontro entre ele e o presidente panamenho, José Raúl Mulino, em menos de dois anos.
Isso mostra nosso empenho em intensificar os laços econômicos e de cooperação entre nossos países. O Panamá é o maior parceiro comercial do Brasil na América Central, e o comércio bilateral cresceu 78% em 2025.
Na mesma ocasião, o presidente do Panamá destacou a parceria bilateral. Ele disse que consolidaram uma relação significativa, tanto no plano político quanto pessoal, que agora se concretiza com o início de um mecanismo de cooperação técnica. Esse mecanismo, acertado em reunião prévia, visa integrar equipes especializadas em áreas como questões fiscais, assuntos marítimos e turismo, para tornar a relação com o Brasil mais ágil e estreita.
Durante a cerimônia, Lula recebeu a Ordem de Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração concedida pelo Estado panamenho.
Para mim, presidente Lula, é uma satisfação distingui-lo como panamenho, como chefe de Estado e, sobretudo, como amigo.
Atos Bilaterais
Brasil e Panamá também avançaram na pauta econômica conjunta. Nesta quarta-feira, foi assinado o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e do Comércio e Indústria do Panamá, Júlio Armando Moltó Alain.
O instrumento tem como objetivo promover e simplificar os investimentos mútuos, além de reforçar a segurança jurídica. O acordo traz previsibilidade aos investidores e aprofunda a colaboração bilateral no âmbito dos investimentos. Também contribuirá para melhorar o clima de negócios por meio de mecanismos de transparência, facilitação e prevenção de disputas, o que deve aumentar os fluxos de investimento produtivo e consolidar a relação econômica entre os dois países.
As nações deram início formal às tratativas para um Acordo de Alcance Parcial sobre comércio de bens, com a meta de estabelecer regras, prazos e condições de acesso aos mercados, criando mais oportunidades para exportadores e importadores.
Na agenda presidencial no país, outros instrumentos foram assinados, incluindo um Plano de Ação para executar o Acordo de Cooperação Turística entre os órgãos de turismo de ambas as nações. Além disso, foi tratado um Memorando de Entendimento entre as autoridades portuárias e marítimas dos dois países sobre cooperação em transporte marítimo, logística e sustentabilidade.
Para o presidente Lula, o Acordo de Facilitação de Investimentos vai estimular o fluxo comercial e de capitais. Ele afirmou que houve avanços nas discussões sobre um Acordo de Preferências Tarifárias, no contexto da adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul, e que foram firmados instrumentos de cooperação nas áreas de turismo e gestão portuária.
O presidente também mencionou a atualização do acordo de serviços aéreos para dar maior segurança jurídica ao transporte de cargas e discutiu a finalização do procedimento sanitário necessário para importar carnes bovina, suína e de aves do Brasil.
Tive uma produtiva reunião com o presidente do Panamá, @JoseRaulMulino. Em menos de dois anos, esta é a 6ª vez que nos encontramos. Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos.
O Panamá é o principal parceiro comercial… pic.twitter.com/959J1CHlHg
— Lula (@LulaOficial) January 28, 2026
Soberania do Canal
O mandatário brasileiro reafirmou seu apoio integral à soberania panamenha sobre o Canal do Panamá. Ele informou ter encaminhado ao Congresso Nacional brasileiro uma proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do Canal. Lula ressaltou que, há quase trinta anos, o Panamá administra de modo eficiente, seguro e não discriminatório essa via crucial para a economia mundial.
Atualmente, o Brasil é o décimo quinto maior usuário do Canal do Panamá, por onde transitam quase sete milhões de toneladas de exportações brasileiras anualmente. Recordando a visita realizada ao local na tarde de quarta-feira, o presidente destacou que o Canal é uma referência em governança climática, com iniciativas inovadoras como a cota para embarcações que utilizam combustíveis sustentáveis. Ele afirmou que defender a neutralidade do Canal significa defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.
Fórum Internacional
Pela manhã, Lula participou da abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, edição na qual o Brasil foi o convidado de honra. Em declaração à imprensa, o presidente parabenizou a organização do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o governo panamenho, salientando que fóruns desse tipo mostram como, com diálogo e pragmatismo, é possível colaborar para alcançar objetivos comuns.
Cooperação contra o Crime Organizado
Lula também destacou os desafios compartilhados pelos países, como o enfrentamento ao crime organizado transnacional. Ele afirmou que tais problemas só podem ser combatidos por meio da cooperação internacional, sendo fundamental fortalecer os fóruns de concertação latino-americanos e caribenhos. O presidente finalizou dizendo que retorna a Brasília motivado pela receptividade do povo panamenho e pelos progressos concretos alcançados na relação bilateral.







