O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM) comemorou a inauguração da primeira torre para monitoramento de gases de efeito estufa em florestas de várzea da Amazônia. Esta estrutura de 48 metros, denominada Torre de Fluxo do Mamirauá, está posicionada na Reserva Mamirauá e é equipada com sensores que acompanharão, ao longo dos próximos anos, as emissões de gases de efeito estufa, com foco especial no metano, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
Objetivos do Monitoramento de Gases de Efeito Estufa
O principal propósito da Torre de Fluxo do Mamirauá é analisar o balanço de carbono e a dinâmica dos gases de efeito estufa nas florestas de várzea. Essas florestas, que se estendem ao longo de grandes rios da Amazônia, como os rios Solimões e Amazonas, não tinham um monitoramento específico até a instalação dessa torre. Ayan Fleischmann, pesquisador titular do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto, destacou a importância de compreender as emissões de metano nesses ecossistemas alagados.
Condições do Local
A instalação da torre ocorreu em um local que fica inundado por aproximadamente metade do ano, com a água podendo atingir até quatro metros de altura em períodos de cheia intensa. O desenvolvimento do projeto levou mais de um ano, incluindo a aquisição de equipamentos, a concepção do projeto de construção, a escolha do local e a aprovação junto às comunidades locais.
Desafios e Conclusão da Construção
A construção foi iniciada em agosto, mas enfrentou atrasos devido a condições climáticas adversas que dificultaram o acesso. No entanto, a torre começou a operar na segunda quinzena de dezembro, quando as condições permitiram a conclusão das obras.
Integração com Redes Globais
A Torre de Fluxo do Mamirauá integra uma rede global de torres que coletam dados cruciais sobre diferentes ecossistemas, sendo a primeira dedicada especificamente às florestas de várzea da Amazônia. O projeto fará parte da Rede FLUXNET-CH4 e do LBA (Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia), que visa entender as dinâmicas ambientais dessa região e seu impacto no clima.
Colaboração em Pesquisa
O projeto é resultado da colaboração entre pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Stanford University e da Universidade Federal de Santa Maria. Financiado pela Fundação Gordon & Betty Moore, ele permitirá medições avançadas de gases como metano, dióxido de carbono e vapor d’água.
Engajamento Comunitário
Um dos aspectos diferenciados do projeto é o forte componente de engajamento comunitário. A interação com as comunidades locais começou desde a fase de construção e seguirá por meio de atividades de educação ambiental. Há um plano de trabalho em desenvolvimento com a escola da comunidade mais próxima da torre, a Comunidade São Raimundo do Jarauá. O objetivo é envolver os alunos em estudos sobre clima, hidrologia e mudanças climáticas, visando inspirar uma nova geração de cientistas comprometidos com a preservação da Amazônia.







