A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou suas operações na Amazônia Legal como parte da força-tarefa destinada à desintrusão da Terra Indígena Munduruku, localizada no Pará. Essa ação inclui o reforço do policiamento nas estradas federais e no transporte aéreo de pessoal e equipamentos, visando a remoção de invasores e o combate ao garimpo ilegal na região.
A ordem de desintrusão foi emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) através da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709. O objetivo é garantir que a área permaneça exclusivamente sob a administração dos povos indígenas, preservando suas práticas culturais e protegendo a biodiversidade local, incluindo fauna, flora e recursos hídricos.
A operação, que teve início em 9 de novembro, é coordenada pela Casa Civil da Presidência da República e envolve mais de 20 órgãos federais. Desde o começo da ação, a força-tarefa já efetivou mais de 300 operações, resultando na eliminação de acampamentos e na destruição de equipamentos usados para o garimpo, como dragas e escavadeiras. Estas ações causaram avultados prejuízos aos grupos criminosos atuantes na região.
A atuação da PRF na desintrusão da TI Munduruku é parte do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), criado em 2023 pelo Governo Federal. Este plano, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, tem como foco a intensificação do combate a organizações criminosas e crimes ambientais nos nove estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Durante os 14 meses de operação do Plano Amas, a PRF registrou um aumento expressivo nas atividades de fiscalização, totalizando mais de 3.000 ações e um crescimento de 148% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O número de pessoas fiscalizadas subiu 115%, junto com um aumento de 110% em relação aos veículos envolvidos. Foi observado um crescimento de 88% nas ocorrências de crimes ambientais durante esse período.
Entre janeiro e 13 de dezembro de 2024, a PRF contabilizou 2.130 ocorrências de crimes ambientais, com apreensões de 43 quilos de ouro, avaliados em mais de R$ 22 milhões, além de 3.800 toneladas de diferentes minerais, principalmente cassiterita. Durante o ano, 24.361 pessoas e 23.509 veículos foram fiscalizados na região da Amazônia Legal. Também foram apreendidos 29 mil m³ de madeira e resgatados 552 animais silvestres.
A PRF, além das abordagens e fiscalizações, tem contribuído significativamente para desmantelar o crime organizado, resultando na inutilização de uma variedade de equipamentos utilizados para garimpo ilegal, que inclui balsas, motores, tratores, escavadeiras, caminhões e até aeronaves.






