Apesar de a cobertura de nuvens ser escassa no Brasil, a fumaça dos incêndios florestais que ocorrem do norte ao sul do país obscurece o céu e deixa o sol com uma sombra vermelha. O fogo não devasta apenas a fauna e a flora, mas também afeta comunidades locais, enquanto a fumaça viaja grandes distâncias, impactando a saúde de pessoas por milhares de quilômetros.
Na segunda-feira (9), cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro foram cobertos por fumaça, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse número equivale a 60% da área total do país. A fuligem deve se espalhar ainda mais regiões, atingindo em breve todo o Uruguai e centros da Argentina, incluindo as capitais Montevidéu e Buenos Aires, conforme reportado por Poder 360, g1 e O Globo.
Em São Paulo, a qualidade do ar foi severamente afetada, atingindo níveis entre “ruim” e “muito ruim” em várias áreas da cidade e sua região metropolitana na manhã de segunda-feira. De acordo com o site suíço IQAir, que monitora a qualidade do ar globalmente, São Paulo liderou o ranking das metrópoles com o ar mais poluído no início do dia. Esse cenário de poluição não é isolado, já que no domingo (8), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) também figuraram entre as cidades com maiores níveis de poluição, conforme relatado pela Folha e CNN.
A principal causa desse interesse é o registro de queimadas, especialmente na Amazônia, que registra o maior número de focos de incêndio em 19 anos. Um corredor de fumaça originado no sul da Amazônia se estende até o sul do Brasil, afetando até áreas ainda não atingidas, como países ao extremo sul do continente, segundo especialistas consultados pela Carta Capital.
Focos de incêndio também são registrados no interior de São Paulo, no Cerrado de Goiás, e nas regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, afetando o Pantanal. Minas Gerais também enfrentou queimadas graves, o que contribui para a densa camada de fumaça que cobre várias partes do Brasil, deixando o céu invisível e transformando o sol em um tom vermelho, conforme relatado pelo Climatempo.
Enquanto o governo federal tenta combater os incêndios do norte ao sul, a busca por responsáveis continua. Grande parte das queimadas é causada por ação humana, e a Polícia Federal já abriu 52 inquéritos para investigar crimes ambientais e o envolvimento de organizações criminosas nesses episódios, de acordo com o Valor.
Notas de atualização:
- O incêndio na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, já destruiu 10 mil hectares do Parque Nacional até o último domingo. Equipes do ICMBio e 52 brigadistas atuam na região.
- O governo federal foi intimado pelo STF a mobilizar todos os recursos disponíveis para combater os incêndios na Amazônia e no Pantanal.
- Brigadistas do IBAMA estão na Bolívia para ajudar no combate aos incêndios que ameaçam a Serra do Amolar, no Pantanal.







