O verão e períodos de altas temperaturas trazem consigo um fenômeno natural e essencial para o corpo: a transpiração. O suor, produzido pelas glândulas sudoríparas, é o principal mecanismo do organismo para regular a temperatura interna, evitando o superaquecimento. Embora vital, sua produção excessiva – seja pelo calor, exercício físico ou estresse – pode desequilibrar o ecossistema da pele, gerando desconforto e problemas cutâneos específicos. Compreender esse processo é o primeiro passo para manter a pele saudável mesmo nos dias mais abafados.
O suor é majoritariamente composto de água e sais minerais, como sódio e cloreto. Quando em quantidade normal, ele evapora da superfície da pele, proporcionando o resfriamento. No entanto, em excesso e em condições de umidade alta (onde a evaporação é mais lenta), ele cria um ambiente úmido e quente sobre a pele. Essa condição é propícia para uma série de desarranjos.
O principal efeito é o abafamento dos poros. A umidade constante pode amolecer e expandir a queratina que os reveste, facilitando sua obstrução. Esse é um cenário clássico para o surgimento ou agravamento de acnes mecânicas ou por oclusão, especialmente em áreas como testa, costas, peito e onde há atrito com roupas (como alças de sutiã ou faixas de mochila). Além disso, a pele constantemente úmida fica mais suscetível à fricção, o que pode causar irritações, assaduras e dermatites, comum em áreas de dobras como axilas, virilhas e sob as mamas.
Outra consequência é a alteração do microbioma cutâneo. A pele abriga uma série de microrganismos benéficos que vivem em equilíbrio. O excesso de suor, associado ao calor, pode alterar o pH e a disponibilidade de nutrientes na superfície, potencialmente levando a um crescimento desordenado de fungos ou bactérias. Condições como a micose (frieira) e a dermatite seborreica (caspa) podem piorar ou se manifestar nesse período.
Por fim, a própria composição do suor, rica em sais, pode causar ressecamento paradoxal. Após a evaporação da água, os sais minerais permanecem na pele, podendo retirar umidade das células mais superficiais, deixando uma sensação de repuxamento e aspereza, especialmente em peles já mais secas.
Manter o equilíbrio da pele em meio ao suor excessivo requer uma rotina de cuidados adaptada, focada em limpeza, equilíbrio e proteção leve.
A limpeza suave e frequente é a base. Lavar o rosto e áreas muito suadas com um sabonete ou gel de limpeza adequado ao tipo de pele, preferencialmente com pH fisiológico (próximo de 5,5), remove o excesso de suor, sal e impurezas sem agredir a barreira cutânea. Após exercícios intensos, um banho rápido é recomendado.
A hidratação correta é fundamental. Muitos cometem o erro de evitar cremes por medo de oleosidade. No entanto, uma pele desidratada pode produzir mais seio para se defender. O ideal é optar por texturas leves, como géis-creme, loções fluidas ou séruns com ácido hialurônico. Esses produtos repõem a água perdida sem obstruir os poros. Hidratantes com níacinamida são uma excelente escolha, pois ajudam a regular a oleosidade e fortalecem a barreira da pele.
A escolha de tecidos das roupas faz toda a diferença. Tecidos naturais e respiráveis, como algodão e linho, ou tecidos tecnológicos de secagem rápida, permitem que o suor evapore mais facilmente, reduzindo o abafamento. Roupas muito justas de materiais sintéticos retêm o calor e a umidade, piorando o cenário.
Para o controle da oleosidade e do brilho ao longo do dia, papel matificante ou pó solto mineral podem ser usados para retoques rápidos, absorvendo o excesso sem entupir os poros.
Em síntese, o suor em si não é um inimigo, mas um sinal de um corpo que funciona. O desafio é gerenciar seu impacto sobre a pele. Através de uma higiene adequada, hidratação inteligente e escolhas conscientes no vestuário, é possível atravessar os dias mais quentes e suados mantendo a pele limpa, confortável e em equilíbrio, minimizando os riscos de irritações e imperfeições. A chave está em trabalhar com a fisiologia da pele, e não contra ela.







