O ano de 2026 mal começou e o universo da beleza já testemunha um ressurgimento nostálgico: não só a moda ou a música estão sendo revisitadas, a maquiagem característica de 2016 também retorna com força total. Nas plataformas digitais, figuras públicas, influenciadores e entusiastas de cosméticos reinterpretam um marco estético da década anterior, em um momento em que muitos buscam expressividade e vivacidade diante de uma rotina online excessivamente marcada pelo minimalismo.
Como indicam análises de comportamento, se o último trimestre de 2025 foi regido por cuidados estéticos quase imperceptíveis e naturais (a chamada clean girl aesthetic), emergiu um desejo coletivo por looks mais arrojados, artísticos e minuciosos, influenciados diretamente pela estética Instagram Baddie que atingiu seu pico em 2016.
Chloé Gaya, maquiadora e diretora artística do Jacques Janine, compartilha como esse “retorno ao passado” na maquiagem se transforma em conselhos aplicáveis hoje.
Sobrancelhas mais delineadas: a volta da precisão escultural
Os olhos são a moldura do rosto e, em 2016, sobrancelhas extremamente definidas eram centrais. A era das sobrancelhas perfeitas, ou “on fleek“, evocava um trabalho de escultura: contornos nítidos, extremidades alongadas e preenchimento com estrutura. Agora, esse visual reaparece como uma celebração do poder de um olhar bem demarcado, usando métodos que realçam a face de maneira moderna e sofisticada.
“O que vemos retornar é uma releitura atualizada: sobrancelhas bem preenchidas e precisas, mas com transição de cor mais natural e movimento, evitando aquele aspecto denso e compacto do passado”, explica Chloé Gaya.
Sugestões de produtos: Duo de lápis e gel para sobrancelhas Fenzza e pincel para sobrancelhas OX-34 Klass Vough.
Olhos com detalhamento: do cut crease ao delineador gráfico
Um dos traços mais marcantes das maquiagens de 2016 era o nível de detalhe aplicado ao olhar: cut creases dramáticos, esfumados bem elaborados e delineados com personalidade. Além disso, a sombra altamente pigmentada e o efeito tridimensional voltam como formas de expressar criatividade e ousadia. “Hoje combinamos o melhor das duas eras: a precisão do cut crease tradicional com uma atmosfera mais leve e adaptável para diferentes ocasiões”, observa a profissional.
Sugestões de produtos: Paleta Sweet Collection Red Velvet Ruby Kisses e paleta Refresh Yourself BT x Coca-Cola.
Pele trabalhada: acabamento impecável e processo em múltiplas etapas
Se a década passada privilegiava o brilho natural, o revival de 2016 reintroduz uma pele elaborada, concebida em etapas: preparação com primer, base com acabamento mais estruturado, contorno e até técnicas como o baking para aumentar a duração e obter um acabamento mate. Trata-se de uma maquiagem que exalta técnica e minúcia, ideal para quem gosta de dominar cada detalhe.
“A proposta não é simplesmente replicar um visual antigo, mas ressignificar a habilidade para que ela valorize diferentes texturas da pele e formatos de rosto”, esclarece a especialista.
Sugestões de produtos: Creme facial Onul31 e pó para o rosto Seal UP BM Beauty.
Lábios de destaque: do mate clássico ao toque contemporâneo
Ainda que no auge de 2016 os lábios mate intensos fossem a regra, com contornos bem definidos e cores vibrantes, hoje a tendência evolui para um equilíbrio: lábios com presença, porém confortáveis, usando métodos de contorno e cor que harmonizam com o resto do rosto, sem parecerem desconectados. “É possível se inspirar naquela boca marcante do passado, mas com uma aplicação moderna que dá profundidade e suavidade ao mesmo tempo”, detalha Chloé Gaya.
Sugestões de produtos: Bolush Blush Multifuncional Pudim Beauty.
A estética como meio de expressão
Para a maquiadora, adotar a estética de 2016 significa “além de nostalgia, uma reafirmação do prazer de experimentar a maquiagem”. A retomada das referências daquele ano não se resume a olhar para trás, mas a redescobrir o valor da técnica, da criatividade e da individualidade em cada traço e tom.
O motivo do momento atual
Esse retorno às tendências marcantes de 2016 acompanha um movimento cultural mais amplo de nostalgia que tem predominado nas redes sociais e nos debates sobre moda e beleza, representando uma busca por emoções e lembranças afetivas em meio a um excesso de uniformidade estética.







