A cadeira vazia

Mais um feriado se passou. E, como em tantos outros, as redes sociais se enchem de fotos: famílias reunidas ao redor de mesas fartas, risos compartilhados na sala, histórias sendo contadas entre uma refeição e outra. É nesse ambiente que muitos percebem onde está a verdadeira riqueza.

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Mas, em algumas casas, há uma ausência. Silenciosa, constante, sentida.

Seja na Páscoa, no Natal ou no Réveillon, existe uma cadeira que permanece vazia.

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Para o policial, não há feriado. O trabalho é contínuo, dia e noite, nas ruas, garantindo a segurança de quem pode estar em casa. E, por trás dessa escolha, existe um peso que nem sempre é visto: o de abrir mão de momentos afetivos, de memórias em família, de presenças que não voltam.

Há também o outro lado, o da família que fica.

A diferença entre um feriado comum e o feriado de uma família de policial está na espera. Na angústia silenciosa de um telefone que pode tocar a qualquer momento, interrompendo a celebração com uma notícia que ninguém quer receber.

E há perguntas difíceis de responder.

Como uma criança explica, na escola, que o pai não estava em seu aniversário porque estava protegendo o de outras crianças?

Nenhum policial gosta de estar ausente em datas especiais. Mas existe uma satisfação silenciosa — quase invisível — em saber que, por estar nas ruas, outras famílias podem viver seus momentos em paz.

Entender essa profissão é saber que essa escolha também dói.

Mas, ainda assim, é feita todos os dias por um senso de dever que vai além de si mesmo.

A sociedade vê o uniforme, a viatura e a autoridade. Mas, entre uma ocorrência e outra, no silêncio da madrugada de um feriado, existe alguém que olha para a foto no fundo de tela do celular e suspira.

Por trás do distintivo, não bate apenas o coração de um agente da lei, mas o de um pai ou de uma mãe que, enquanto vigia o sono do mundo, conta as horas para poder velar, de perto, o sono dos seus próprios filhos.

Na próxima vez que cruzar com uma viatura em um dia de festa, lembre-se: ali dentro há alguém que abriu mão de um “eu te amo” presencial para dizer, através do seu trabalho, que a sua vida importa.

A farda pode até esconder o indivíduo, mas não apaga a saudade.

Afinal, a segurança pública é feita de aço e coragem, mas também de ausências.

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Gabriela Pacheco Brandão
A Cabo Gabriela Pacheco Brandão é Bacharel em Direito, com pós-graduações em Ciências Criminais e Direito Aplicado. Possui prática forense reconhecida pelo TJES .Na PMES desde 2014, integrou o GAO e atua na Força Tática desde 2017. É formada em cursos como APH Brasil e CPAAR, com sólida experiência operacional e jurídica.
Bastidores da Farda
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Bastidores da Farda é uma coluna especial que abre espaço para que militares compartilhem suas vivências dentro e fora do serviço. Aqui, o leitor encontra relatos, reflexões e bastidores do cotidiano de quem vive o dever de proteger, mas também carrega medos, sonhos e desafios. A proposta é humanizar a farda, aproximando a sociedade da realidade policial e dando voz a quem, todos os dias, está na linha de frente da segurança pública.

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