Mais um feriado se passou. E, como em tantos outros, as redes sociais se enchem de fotos: famílias reunidas ao redor de mesas fartas, risos compartilhados na sala, histórias sendo contadas entre uma refeição e outra. É nesse ambiente que muitos percebem onde está a verdadeira riqueza.
Mas, em algumas casas, há uma ausência. Silenciosa, constante, sentida.
Seja na Páscoa, no Natal ou no Réveillon, existe uma cadeira que permanece vazia.
Para o policial, não há feriado. O trabalho é contínuo, dia e noite, nas ruas, garantindo a segurança de quem pode estar em casa. E, por trás dessa escolha, existe um peso que nem sempre é visto: o de abrir mão de momentos afetivos, de memórias em família, de presenças que não voltam.
Há também o outro lado, o da família que fica.
A diferença entre um feriado comum e o feriado de uma família de policial está na espera. Na angústia silenciosa de um telefone que pode tocar a qualquer momento, interrompendo a celebração com uma notícia que ninguém quer receber.
E há perguntas difíceis de responder.
Como uma criança explica, na escola, que o pai não estava em seu aniversário porque estava protegendo o de outras crianças?
Nenhum policial gosta de estar ausente em datas especiais. Mas existe uma satisfação silenciosa — quase invisível — em saber que, por estar nas ruas, outras famílias podem viver seus momentos em paz.
Entender essa profissão é saber que essa escolha também dói.
Mas, ainda assim, é feita todos os dias por um senso de dever que vai além de si mesmo.
A sociedade vê o uniforme, a viatura e a autoridade. Mas, entre uma ocorrência e outra, no silêncio da madrugada de um feriado, existe alguém que olha para a foto no fundo de tela do celular e suspira.
Por trás do distintivo, não bate apenas o coração de um agente da lei, mas o de um pai ou de uma mãe que, enquanto vigia o sono do mundo, conta as horas para poder velar, de perto, o sono dos seus próprios filhos.
Na próxima vez que cruzar com uma viatura em um dia de festa, lembre-se: ali dentro há alguém que abriu mão de um “eu te amo” presencial para dizer, através do seu trabalho, que a sua vida importa.
A farda pode até esconder o indivíduo, mas não apaga a saudade.
Afinal, a segurança pública é feita de aço e coragem, mas também de ausências.








