9 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Muito além do crime: o papel invisível da polícia no cotidiano social

A polícia é frequentemente associada à repressão ao crime, à prisão e ao enfrentamento direto da violência. No entanto, essa visão reduzida ignora uma realidade cotidiana: a atuação policial começa, muitas vezes, antes da infração penal e se estende para além da letra fria da lei.

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Na prática, a polícia é acionada quando o diálogo falha. Quando a família se rompe, quando vizinhos já não conseguem conviver, quando conflitos comuns extrapolam o controle emocional e ameaçam evoluir para algo maior. É nesse espaço, onde ainda não há crime, mas já existe tensão, que o policial é chamado a intervir.

Para a sociedade, o policial tornou-se uma espécie de solução imediata. Não apenas para prender, mas para intermediar, acalmar, orientar e decidir. Espera-se que o agente público seja, ao mesmo tempo, mediador de conflitos, conselheiro, conciliador e, por vezes, tem que o ser, já que costuma ser o único representante do Estado presente naquele momento crítico.

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Atende a todos os chamados com atenção e respeito, pois jurou servir e proteger. Atende a população mesmo quando isso exige assumir funções que extrapolam sua atribuição legal: um pouco psicólogo, um pouco advogado, um pouco assistente social, um pouco orientador que direciona a sociedade ao meio certo de resolver seu conflito.
Óbvio, nunca para substituir outras instituições, mas para evitar que o conflito escale, que a violência se instale e que o pior cenário se concretize.

A polícia não atua apenas quando a lei é violada. Atua, sobretudo, quando a convivência humana falha.

Entre o caos e a ordem, existe um espaço silencioso onde decisões precisam ser tomadas rapidamente, muitas vezes sem manual, sem plateia e sem reconhecimento. É nesse intervalo que o policial cumpre uma de suas missões mais sensíveis, preservar a paz social, ainda que isso signifique ir além do que está escrito no papel.

Reconhecer esse papel é compreender que a segurança pública não se resume ao enfrentamento do crime, mas passa, diariamente, pela gestão de conflitos humanos. Uma tarefa complexa, invisível e essencial para a manutenção da ordem social.

Segurança pública é muito maior do que resolver crimes e prender infratores. Segurança pública se faz com multiprofissionais e com uma resolução constante de conflitos sociais.

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Gabriela Pacheco Brandão
A Cabo Gabriela Pacheco Brandão é Bacharel em Direito, com pós-graduações em Ciências Criminais e Direito Aplicado. Possui prática forense reconhecida pelo TJES .Na PMES desde 2014, integrou o GAO e atua na Força Tática desde 2017. É formada em cursos como APH Brasil e CPAAR, com sólida experiência operacional e jurídica.
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda
Bastidores da Farda é uma coluna especial que abre espaço para que militares compartilhem suas vivências dentro e fora do serviço. Aqui, o leitor encontra relatos, reflexões e bastidores do cotidiano de quem vive o dever de proteger, mas também carrega medos, sonhos e desafios. A proposta é humanizar a farda, aproximando a sociedade da realidade policial e dando voz a quem, todos os dias, está na linha de frente da segurança pública.

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