Diariamente, homens e mulheres vestem a farda e saem de casa sem a certeza de como ou se irão retornar. Atendem ocorrências complexas, mediam conflitos, enfrentam o crime e lidam com as fragilidades humanas em sua forma mais crua. Esse é o cotidiano policial: intenso, imprevisível e, muitas vezes, incompreendido.
No entanto, basta que um único episódio negativo ganhe repercussão midiática para que o senso comum se apresse em rotular toda uma instituição. Generalizações não são justas com grande parcela dos profissionais que lutam diariamente pelo bem, com honra e caráter.
Fato é que os policiais são seres humanos. E, como tais, falhos. Eventualmente, ocorrem desvios de conduta, atos ilegais ou imorais praticados por integrantes da corporação. Isso não significa falha sistêmica automática, tampouco define a essência da instituição. A formação policial é rigorosa, os mecanismos de controle existem e o ingresso na carreira exige critérios técnicos e morais. Ainda assim, caráter é construção individual e contínua, como também escolhas pessoais que não podem ser confundidas com a missão coletiva.
A grande maioria dos policiais segue firme no propósito de cumprir a lei, preservar a ordem pública e garantir a incolumidade das pessoas e do patrimônio, como prometeram, mesmo quando isso implica risco à própria vida. Trabalham sob pressão, sob críticas e sob olhares desconfiados, mas seguem.
E para aqueles que eventualmente se afastam do juramento prestado, existem instrumentos legais de fiscalização e responsabilização, como as corregedorias e demais órgãos de controle. O Estado Democrático de Direito não se sustenta apenas na autoridade, mas também na responsabilização.
A crítica é legítima. A fiscalização é necessária. Mas a generalização é injusta.
Entre erros individuais e a missão institucional, permanece uma verdade silenciosa: todos os dias, a maioria segue honrando a farda, não por aplausos, mas por compromisso.







