A marcha militar não é apenas um deslocamento físico. É um exercício silencioso de resiliência, onde cada passo carrega o peso do cansaço, da disciplina e, sobretudo, do propósito. O corpo reclama, a mente questiona, mas o avanço continua. Não se marcha porque é fácil, mas porque é necessário chegar ao destino, mesmo quando ele parece distante ou invisível.
Na atividade policial, a lógica é a mesma. Há dias em que o trabalho é injustamente reduzido à expressão popular de “secar gelo”. Ocorrências que se repetem, problemas sociais que parecem não ter fim, decisões que não geram aplausos nem resultados imediatos. Ainda assim, o policial permanece. Não por ingenuidade, mas por compromisso.
Assim como na marcha, o policial aprende que desistir não é uma opção. O ritmo é mantido mesmo quando ninguém observa, quando o reconhecimento não vem e quando o esforço parece se perder no cotidiano. A missão não se mede pelo retorno imediato, mas pela constância. É o estar presente que impede o colapso, que segura a linha, que mantém a ordem possível.
Resiliência, nesse contexto, não é romantizar o sacrifício, mas compreender o valor da persistência. É saber que cada ação, por menor que pareça, constrói um caminho coletivo. Marchar e servir exigem a mesma força: seguir em frente apesar do desgaste, da crítica e da sensação de inutilidade momentânea.
No fim, tanto na marcha militar quanto na rotina policial, vence quem entende que missão não é sobre aplausos, e sim sobre responsabilidade. E que, mesmo quando dizem ser “secar gelo”, alguém precisa continuar caminhando.
E sempre continuaremos caminhando, servindo e protegendo, mesmo com o sacrifício da própria vida.








