2 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Febre do Oropouche: a doença que avança no Brasil e desafia autoridades sanitárias

A febre do Oropouche, doença causada por um arbovírus do gênero Orthobunyavirus, foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de uma amostra de sangue de um bicho-preguiça durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Desde então, casos isolados e surtos foram registrados principalmente na região amazônica, que é considerada endêmica para a doença. No entanto, em 2024, a febre do Oropouche passou a preocupar as autoridades sanitárias brasileiras, com mais de 7 mil casos confirmados até início de julho e transmissão autóctone em pelo menos 16 estados. Recentemente, São Paulo relatou os primeiros casos no interior do estado.

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Transmissão e Vetores

A febre do Oropouche é transmitida principalmente pelo vetor Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. No ciclo silvestre, bichos-preguiça, primatas não-humanos e possivelmente aves silvestres e roedores atuam como hospedeiros. O vírus também foi isolado em outros insetos, como Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus. No ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros e o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo, pode transmitir o vírus.

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Sintomas

Os sintomas da febre do Oropouche são semelhantes aos da dengue e incluem dor de cabeça intensa, dor muscular, náusea e diarreia. O quadro clínico agudo pode evoluir para febre súbita, cefaleia, mialgia, artralgia e outros sintomas como tontura, dor retro-ocular, calafrios, fotofobia, náuseas e vômitos. Casos graves podem apresentar acometimento do sistema nervoso central e manifestações hemorrágicas. Estudos indicam que até 60% dos pacientes podem ter recidiva dos sintomas após uma ou duas semanas.

Mortes Inéditas

No dia 25 de julho, a Bahia confirmou duas mortes por febre do Oropouche, sendo que não havia registros de óbitos associados à doença em todo o mundo até então. As vítimas eram mulheres de 24 e 21 anos, residentes em Valença e Camamu, respectivamente. Ambas apresentaram sintomas graves como dor abdominal intensa, sangramento e hipotensão.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da febre do Oropouche é clínico, epidemiológico e laboratorial, e todos os casos positivos devem ser notificados. A doença é de notificação imediata devido ao seu potencial epidêmico. Não há tratamento específico, sendo recomendado repouso, tratamento sintomático e acompanhamento médico. Pacientes com sintomas suspeitos devem procurar ajuda médica e informar sobre possíveis exposições à doença.

Prevenção

Para prevenir a febre do Oropouche, recomenda-se evitar áreas de ocorrência, usar roupas protetoras, aplicar repelente, limpar terrenos e locais de criação de animais, e usar telas de malha fina em portas e janelas.

Transmissão Vertical e Microcefalia

Em julho, o Ministério da Saúde publicou notas técnicas alertando para a possibilidade de transmissão vertical do vírus, que pode ocorrer durante a gestação ou o parto. Estudos preliminares detectaram anticorpos contra o vírus em recém-nascidos com microcefalia e material genético do vírus em órgãos fetais de um óbito fetal. Análises adicionais estão em andamento para determinar a relação entre a infecção durante a vida uterina e as malformações neurológicas nos bebês.

 

 

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Equipe de jornalismo

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