Um novo roteiro pelas montanhas do Espírito Santo conecta parques e reservas com o objetivo de atrair turistas sem causar superlotação na área.
Tradicionalmente fora dos principais itinerários de viagem do Brasil, o Espírito Santo procura firmar sua vocação turística investindo na biodiversidade de sua área serrana e na conservação do meio ambiente.
Integração regional nas montanhas
Oferecendo atrativos que superam o conhecido polo de Pedra Azul, as cidades de Castelo, Domingos Martins e Vargem Alta passam a unir suas propostas por intermédio da Rota Caminhos da Mata Atlântica Capixaba. A iniciativa interliga parques estaduais, reservas privadas, produtores rurais e estabelecimentos gastronômicos.
O crescimento planejado visa impedir o turismo massivo, dando prioridade a um desenvolvimento sustentável que contemple toda a cadeia de produção da região.
“Acreditamos que não é possível fazer isso da noite para o dia. É necessário um ritmo gradual para que todos se organizem e a região se desenvolva em conjunto. Já temos exemplos do que evitar”, declara Ramadan Bullus, gerente-geral do Natureza Eco Lodge.
“Entendemos que não conseguiríamos atuar de forma isolada”, afirma Ramadan.
Desenvolvimento e expansão internacional
Elaborado durante dez meses sob a coordenação do Sebrae/ES e com suporte de organizações regionais, o roteiro teve apresentação nacional na ABAV Expo. A próxima etapa do estado contempla a abertura de mercados internacionais, iniciando por um voo fretado de teste proveniente da Argentina, previsto para outubro.
“Trata-se de apresentar mais uma opção, uma chance de um novo mercado, para que eles também possam conhecer o Espírito Santo”, declara Ivair Segheto, gerente do Sebrae na unidade de Vitória (ES).
Turismo de observação de aves
Ao mesmo tempo em que a costa atrai turistas de países vizinhos da América do Sul, o ecoturismo das serras chamou a atenção de europeus interessados na observação de aves. Essa atividade impulsiona a economia da região, já que o visitante internacional costuma utilizar diversos serviços ao longo da hospedagem.
“O europeu valoriza mais o turismo de experiência e de contato com a natureza. Talvez esse conceito esteja surgindo para nós, mas eles já apreciam esse formato de viagem”, afirma.
“O turista adquire a passagem aérea, o translado, a acomodação, a atividade, o guia, o deslocamento interno, todas as refeições. Quer aproveitar tudo o que o destino oferece, pois não sabe quando retornará. Portanto, não é que ele pague um valor mais alto; ele termina gastando mais pela quantidade de vivências”, comenta.
Com a infraestrutura de meios de hospedagem, condutores e reservas privadas devidamente homologada, o Espírito Santo se coloca no contexto nacional e internacional como um destino consolidado para o turismo de natureza.
“Tínhamos outras prioridades estruturais do hotel e da reserva, e agora nos consideramos preparados para acolher o turismo internacional. A hospedagem está pronta, a reserva está pronta com nossa equipe de suporte, e os guias e parceiros também estão habilitados”, declara Ramadan.







