Preso foragido por crimes contra adolescentes no ES

Um comerciante do município de Água Doce do Norte, localizado no Noroeste capixaba, que se encontrava foragido da Justiça, acabou preso em Uberlândia, Minas Gerais. Ele é alvo de investigação por delitos praticados contra adolescentes que atuavam em uma lanchonete. O suspeito já possuía condenação trabalhista ao pagamento de R$ 1 milhão, em razão de trabalho infantil, violência e assédio sexual.

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A captura aconteceu em 30 de julho, no bairro Morumbi, depois de uma ação conjunta envolvendo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o Gaeco mineiro e a Polícia Militar de Minas Gerais.

Após ser localizado e abordado, o comerciante foi conduzido à Delegacia da Polícia Civil e, em seguida, encaminhado ao Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. Ele segue à disposição do Poder Judiciário.

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Adolescentes tinham entre 13 e 17 anos

O caso passou a ser apurado pelo Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES), o que culminou em uma Ação Civil Pública e na condenação na esfera trabalhista.

As apurações revelaram que jovens entre 13 e 17 anos exerciam atividades em uma lanchonete situada em Santo Agostinho, distrito de Água Doce do Norte. Conforme o MPT-ES, o local, além de ser usado para exploração de mão de obra infantil, também teria servido como ambiente para aliciamento, assédio e abuso sexual de adolescentes em condição de vulnerabilidade socioeconômica.

Segundo as evidências anexadas aos autos, o comerciante utilizava a informalidade dos vínculos empregatícios e a fragilidade das jovens como meio de atraí-las ao estabelecimento e expô-las a atos de importunação, assédio e exploração sexual.

As investigações ainda apontaram situações de constrangimento e abuso, bem como o emprego da condição de patrão para intimidar as vítimas. Para a Justiça, as condutas geraram prejuízos à saúde física e mental das adolescentes e feriram direitos essenciais.

A sentença trabalhista fixou a quantia de R$ 1 milhão. O MPT-ES segue empenhado em assegurar a execução da decisão, buscando localizar e bloquear bens do comerciante.

Prisão preventiva havia sido decretada em 2025

A prisão preventiva do suspeito foi determinada em 14 de agosto de 2025. Depois da ordem judicial, ele saiu do Espírito Santo e passou a ser procurado.

A descoberta do paradeiro em Minas Gerais aconteceu depois de diligências e do cruzamento de dados feitos pelo Gaeco do Espírito Santo. Por solicitação da Procuradoria do Trabalho no Município de São Mateus, o Gaeco Norte abriu um procedimento para colaborar com as investigações.

Os levantamentos apontaram que o comerciante se ocultava em Uberlândia. Os dados foram repassados ao Gaeco de Minas Gerais e à Polícia Militar mineira, que integraram a força-tarefa responsável pela prisão.

Ainda que o Ministério Público do Trabalho não possua competência para apresentar ações penais, o órgão tem a prerrogativa de trocar informações e agir em conjunto com o Ministério Público Estadual sempre que as apurações trabalhistas evidenciarem sinais de delitos.

De acordo com a procuradora do Trabalho Polyana França, a cooperação entre as instituições possibilita agilizar medidas administrativas e judiciais em situações que envolvem trabalho infantil, violência e exploração sexual de crianças e adolescentes.

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