A Festa Literária Internacional de Paraty chega à sua mais nova edição, marcada para os dias 22 a 26 de julho, com uma escolha que reacende o interesse por uma das vozes mais discretas e ao mesmo tempo mais intensas da poesia brasileira contemporânea. A homenageada de 2026 é Orides Fontela, poeta paulista morta em 1998, conhecida por versos enxutos, quase minerais, que tratam de tempo, linguagem e existência com uma economia de palavras rara na poesia nacional.
A escolha marca também a estreia da editora e crítica literária Rita Palmeira como curadora do evento, substituindo a curadoria anterior e prometendo uma programação que deve equilibrar nomes consagrados com vozes emergentes da literatura brasileira e estrangeira.
Consolidada ao longo de mais de duas décadas como um dos principais encontros literários da América Latina, a Flip deixou de ser apenas uma feira de lançamentos para se tornar um espaço de debate sobre temas que atravessam a literatura: liberdade de expressão, mercado editorial, educação e representatividade.
A programação principal, tradicionalmente concentrada em mesas de conversa na tenda dos autores, deve novamente dividir espaço com uma programação paralela intensa, formada por lançamentos de livros, saraus, oficinas de escrita e encontros promovidos por editoras e coletivos independentes que aproveitam o fluxo de visitantes para ganhar visibilidade fora do circuito oficial do evento.
Para o mercado editorial brasileiro, a Flip funciona também como um termômetro de tendências: autores que sobem ao palco de Paraty costumam ver suas vendas dispararem nas semanas seguintes ao evento, e livrarias de todo o país já se preparam para a enxurrada de pedidos ligados aos nomes da programação deste ano, incluindo relançamentos e novas traduções de obras de Orides Fontela que devem chegar às prateleiras nos próximos meses.







